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Slender Man(2018)

Há um ano | Horror, Mistério, Thriller | 1h33min

de Sylvain White, com Joey King, Julia Goldani Telles, Jaz Sinclair, Annalise Basso, Alex Fitzalan e Taylor Richardson


Já chegou às salas de cinema portuguesas, Slender Man, realizado por Sylvain White. O filme é baseado num creepypasta meme criado por Eric Knudsen (também conhecido como "Victor Surge”). Slender Man, ou, O Homem Esguio, em português, é uma figura de fato preto, muito alto, magro, sem rosto e possui braços anormalmente longos - está associado à floresta e ao sequestro de crianças. Não é alvo dos grandes ecrãs pela primeira vez, em 2016 estreou o documentário da HBO, Beware the Slenderman.

A premissa lembra o filme The Ring (2002) - quatro amigas do liceu juntam-se numa noite e assistem a um video na internet para invocar Slenderman. No seguimento disto, Katie (Annalize Basso) desaparece, preocupando as restantes amigas que começam a ter alucinações com a figura enquanto tentam descobrir como recuperar Katie.

O elenco é composto por atrizes jovens com boas performances: Joey King, conhecida pelo filme The Conjuring (2013), junta-se a Annalise Basso de Ouija: Origin of Evil (2016), a Jaz Sinclair de When the Bough Breaks (2016) e a Julia Goldani Telles.

A luz e as sombras, na maioria dos segmentos, estão bem trabalhadas, sendo a atmosfera misteriosa. A maquilhagem também entrega, de modo realista, o tormento vivido pelas personagens.

Contudo, não dá para esquecer as falhas da longa que, para quem não sabe, foi obrigada a adiar a sua estreia. O primeiro trailer foi mal recebido, por conter cenas demasiadas violentas, que mais tarde foram cortadas pela Sony no lançamento do filme nos cinemas. Nunca saberemos, mas talvez, a longa-metragem tivesse resultado melhor com esses segmentos e se tivesse saído na altura em que o Slanderman era polémico.

O produto final dececiona, servindo de belo exemplo de como não fazer um filme de terror. O enredo é fraco. Não existe aprofundamento, nem desenvolvimento das personagens – não são valorizadas pelo argumento que as entrega como meras adolescentes que tomam decisões estúpidas. O filme mostra não se ter decidido quanto ao relevo das mesmas na história – parece escolher Hallie (Julia Goldani Telles) para protagonista no primeiro ato, mas quem acaba por brilhar realmente nos restantes é Wren (Joey King). Não se apostou no terror psicológico que seria mais funcional nesta história e fez-se um uso ridiculamente excessivo de jumpscares que me levaram a prever o que ia acontecer.

Slenderman é exposto demasiadas vezes e o pouco medo que poderíamos sentir pela figura perde-se. O final é decepcionante e, a meu ver hipócrita, porque o filme critica aquilo que acaba por fazer.

Slender Man não foi de todo assustador e fez-me rir em algumas cenas e diálogos (de tão maus que eram), o que é grave para um filme dito de terror. Se há algo que verdadeiramente me assustou no filme, foram os seus graves problemas de ritmo e as ações ilógicas das personagens. 


Rafaela Teixeira
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   1
 Sara Ló:   2
 Bernardo Freire:   2
 Filipe Lourenço:   3
 Rafaela Boita:   2