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Blade Runner 2049(2017)

Há 2 anos | Sci-Fi, Mistério, Thriller, | 2h43min

de Denis Villeneuve, com Harrison Ford, Ryan Gosling, Ana de Armas, Jared Leto Dave Bautista e Robin Wright


35 anos depois do clássico Blade Runner (1982), Denis Villeneuve vem com uma obra perigosa para a sua carreira. Mexer num clássico, dar-lhe continuidade tem sido algo muito visto nestes últimos anos. Infelizmente, nenhum foi de bom agrado, como o segundo filme Independence Day: Ressurgence (2016), a continuação da saga Alien (1979-1997) com Prometheus (2012) ou mesmo Alien: Convenant que saiu este ano, realizado por Ridley Scott, o mesmo que realizou Blade Runner. Já viram onde quero chegar certo? Ridley Scott não tem feito bons filmes, o que deixava muitos apaixonados pelo universo de Blade Runner perplexos. Felizmente, ele passou para a produção deixando Denis Villeneuve e a sua filmografia ótima encarregues (Incendies (2010), Prisoners (2013), Enemy (2013), Sicario (2015) e Arrival (2016)). Entretanto com o primeiro trailer, a confiança voltou.

Era sem dúvida dos filmes que mais esperava este ano e com a sua saída explosiva, bombardeada de critícas fabulosas “melhor que o original”, “uma obra de arte”, “o melhor filme do ano”, o bichinho do fã de ficção científica que eu sou cresceu.

Bem, o que nos conta o filme?

Em 2049 (ou seja 30 anos depois do primeiro filme), devido a numerosas tensões entre humanos e os seus escravos criados pela bioengenharia, a sociedade acabou por ficar enfraquecida. O agente K (Ryan Golsing) é um replicante de nova geração e um blade runner. Faz parte de uma força de intervenção de elite para encontrar e eliminar aqueles que não obedecem aos comandos dos humanos. Durante a sua investigação acaba por descobrir um segredo enterrado há anos capaz de mudar o mundo. As autoridades acima dele decidem que é a sua vez de ser rastreado e eliminado. A única esperança de K é encontrar Rick Deckard (Harrison Ford), um antigo Blade Runner desaparecido há 30 anos, que poderá responder a todas as suas perguntas sem respostas.

O filme é realmente forte. Muito forte. Quando saímos do cinema e ficamos a pensar naquilo que vimos minutos e minutos sem querer falar com ninguém, apenas pensar no que vimos, sentir a mensagem que a longa-metragem nos passou, é porque te tocou. E estou mais que convencido que a obra me tocou emocionalmente.

Sinceramente, torna-se complicado fazer a crítica deste filme. Imaginem a sensação de acordar depois de um sonho super agradável… Não nos lembramos de todos os detalhes, mas sim pormenores, texturas, sentimentos. É isso que sinto acima de tudo com este filme.

 

Seguimos Ryan Golsing numa investigação muito profunda acerca da vida. Ao longo do filme vão ser-nos postas várias questões através da personagem dele. Quem é que eu sou? Como fui criado? O que significa a vida? O que tenho de fazer para encontrar as minhas respostas? O filme não tem um plot-twist (reviravolta no enredo), tem vários! Acreditei até ao fim numa coisa, na pista que não parecia óbvia (pois já estava à espera de não ser simples) e acabei sendo enganado. Não posso dar mais detalhes sobre o argumento do filme, está construído de maneira a que investiguemos ao mesmo tempo que K.

Não sou fã de Ryan Golsing, nunca o achei grande ator, mas… Tenho de admitir, é a melhor performance dele. Chora, grita, treme, pensa, questiona-se. Um grande sim da minha parte para ele. É sempre óptimo vermos o Harrison Ford correr e cheio de energia ainda hoje. O ator tem um poder de nostalgia muito impactante e tínhamos tantas perguntas sem respostas do final aberto de Blade Runner (1982). Jared Leto não aparece muito, mas quando aparece é de arrepiar. Será sempre daqueles atores que têm uma presença muito forte em cena. Também não irei revelar nada sobre a personagem dele. Ana de Armas é uma das grandes forças do filme. A personagem dela, Joy, é um holograma, uma tecnologia recente que serve de “companhia” ao agente K. Tem umas das sequências mais bonitas e, ao mesmo tempo, bizarras de sempre. Vejam.

Vamos à parte agora que me interessa mais: a parte técnica. Bem, Christopher Nolan terá concorrência nos Óscares com Denis Villeneuve. Quando disse que a fotografia de Dunkirk iria ser falada, posso agora afirmar com convicção que o diretor de fotografia Roger Deakings irá levar a estatueta com Blade Runner 2049. Planos simétricos, luz, sombras, detalhes, tudo. É visualmente fantástico. Hans Zimmer está na música e mais uma vez não desilude, a música e os sons bizarros são a força deste filme ao tom pausado e obscuro.

Gostei imenso do filme. Até agora é o meu filme do ano.

Aconselho a ir ver ao cinema sem falta! Sobretudo se viram o primeiro filme.


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Bernardo Freire:   9
 Sara Ló:   9
 Rafael Félix:   10
 Filipe Lourenço:   8
 Rafaela Boita:   6