O filme é anunciado como um thriller, mas de thriller tem muito pouco. A interpretação de Keanu Reeves cumpre apenas os mínimos necessários.

O filme é anunciado como um thriller, mas de thriller tem muito pouco. A interpretação de Keanu Reeves cumpre apenas os mínimos necessários.

2018
Crime, Romance, Thriller | 1h44min
de Matthew Ross, com Keanu Reeves, Boris Gulyarin, Ashley St. George, Pasha D. Lychnikoff e Ana Ularu


Agosto de 2018 viu estrear entre nós o mais recente filme de Keanu Reeves - Siberia, realizado por Matthew Ross, cuja história decorre na Rússia, entre Moscovo e a Sibéria.

Este filme é anunciado no trailer como um thriller sobre um negociante de diamantes e o comércio ilegal destas pedras preciosas. No entanto, após sairmos da sala de cinema, ficamos com a sensação de que este filme é mais uma história de amor que arde como um rastilho e se extingue com igual rapidez.

Keanu Reeves é Lucas Hill que viaja para Moscovo para se encontrar com o seu sócio Pyotr (Boris Gulyarin) de modo a acertar o próximo negócio de diamantes. Logo se percebe que o negócio tem problemas pois Pyotr desaparece, deixando somente mensagens a Lucas.

O negócio, que já tinha comprador, o mafioso Boris Volkov (Pasha D. Lynchnikoff), e prazos acertados, obriga Lucas a viajar até uma pequena cidade próximo de Mirny, na Sibéria, onde encontraria Pyotr e a sua mercadoria: diamantes azuis. O seu sócio continua desaparecido mas, no café onde decide tomar uma bebida, conhece Katya (Ana Ularu), a dona do café, uma mulher bonita e quente, algo deslocada da realidade gélida da Sibéria. A partir deste ponto gera-se uma relação amorosa entre Lucas e Katya, à mistura com a entrega dos diamantes, a violência previsível de um mafioso russo insatisfeito, e a corrupção das forças policiais russas que não olham a meios para atingir os seus fins.

O filme tem uma toada algo lenta no modo como a história nos é contada, assim como os planos de câmara que prolongam as cenas além do que seria desejável. Na prática o filme tem muito pouco de thriller, pois toda esta linha do argumento acaba muito desvalorizada, sobre o plot da história amorosa entre Lucas e Katya. O argumento é algo desequilibrado e não faz a devida justiça ao protagonista. Quem estava à espera de um filme ao estilo de John Wick (2014) desengane-se.

Esta não é a melhor interpretação de Keanu Reeves mas o seu trabalho é competente e acaba por cumprir os mínimos necessários. Neste campo, Ana Ularu e Pasha D. Lynchnikoff apresentam-se algo superiores ao protagonista, por vezes até roubando o foco da atenção.

O filme é interessante pelo contexto em que a história se insere e pelos locais onde ela se desenvolve, fugindo aos lugares habituais, apresentando como metáfora o clima gélido das paisagens inóspitas da Rússia, com a frieza dos negócios ilegais de pedras preciosas.

Apesar dos problemas deste filme, fiquei com alguma curiosidade em ver o outro crédito deste realizador, Frank e Lola (2016), assim como curioso acerca do percurso futuro deste jovem realizador.


por Rui Lourenço