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Klaus(2019)

Há 4 meses | Animação, Aventura, Comédia, | 1h37min

de Sergio Pablos, com Jason Schwartzman, J.K. Simmons, Rashida Jones e Joan Cusack


Algures na mente de criadores… E se para este natal fizéssemos um filme diferente, original e novo? Algo como uma origin-story do Pai Natal? OK? Ok.

Algures nos estúdios da Netflix… E se o filme se chamasse Klaus e fosse inteligente e para toda a família? Um bom filme de animação para todos? Ok? Ok.

Algures na minha casa…bem, vamos ver se isto vale a pena. Será que sim? SIM VALE.

O que nos conta o filme?

Jesper (Jason Schwartzman) destacou-se como o pior aluno da Academia dos Carteiros. Como castigo, é enviado para Smeerensburg, uma ilha isolada no Círculo Polar Árctico, onde terá a missão de exportar 6000 cartas postais num ano – ou seja, uma missão impossível. Depois de chegar à tal ilha, Jesper percebe que as coisas não são, de todo, normais. Os habitantes estão divididos em duas famílias, e ambas não se dão. Existindo até um sino só para a guerra. O jovem, desesperado e prestes a desistir da sua missão conhece duas pessoas importantes: Alva (Rashida Jones) a professora da ilha – que não tem alunos e Klaus (J.K.Simmons), um misterioso carpinteiro que mora isolado de todos e tem a sua casa cheia de brinquedos artesanais. Crianças, cartas postais e brinquedos poderá ser a solução de todos os problemas.

Sergio Pablos é conhecido por ser o argumentista de Despicable Me (2010) e trabalhar na área da animação em filmes como: The Hunchback of Notre Dame (1996), Hercules (1997), Tarzan (1999) e Treasure Planet (2002). Experiente no campo da animação 2D, o realizador opta por voltar a elaborar uma animação “old school”. E o que dizer? Klaus é bastante surpreendente.

Visualmente é lindo. O design das personagens remete-nos ao período de auge da Disney. É preciso salientar o grafismo. As florestas, a aldeia e a neve respiram o inverno. As formas geométricas são uma mistura entre o gótico de Tim Burton e a animação típica da Disney. Tecnicamente relembrou-me o Spider-Man: Into the Spider-Verse (2018) pela sua ilusão entre o 2D e o 3D. A fotografia transmite perspetivas interessantes a partir de desenhos planos – destaco as partículas de neve, o guarda-roupa e as casas dos habitantes. Para terminar com a técnica, a banda sonora de Alfonso G. Aguilar é maravilhosa.

Narrativamente não é construído para se obter qualquer suspense, mas sim, pela qualidade da sua narração, do arco narrativo das suas personagens e na emoção transmitida até ao clímax do filme. Ao desconstruir o mito do Pai Natal para reconstruir melhor, Pablos lembra-nos o que é o verdadeiro espírito natalício, que tendemos a esquecer ao longo dos anos.

Klaus é o filme a não perder nesta época natalícia. Tem tudo o que se pretende: momentos de pura emoção e mensagens relevantes sobre as tradições, o amor e a magia transmitida pelas crianças. É o filme de animação que mais gostei este ano por ser inteligente e sincero no que quer contar. Não percam. Bem jogado Netflix.


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Pedro Horta:   8
 Pedro Freitas:   8
 Raquel Lopes:   8