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Lady Bird(2017)

Há 2 anos | Comédia, Drama, | 1h34min

de Greta Gerwig, com Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Beanie Feldstein, Lucas Hedges, Odeya Rush e Timothéé Chalamet


Greta Gerwig, atriz e co-escritora de filmes como Frances Ha (2012) e Mistress America (2015), estreia-se a solo na realização e argumento deste Lady Bird, um filme semi-biográfico, que aproveita alguns aspetos da vida da realizadora. De certa forma, é uma carta de amor à sua cidade natal, à sua mãe e aos seus anos de adolescente.

Christine McPherson, AKA Lady Bird (Saoirse Ronan), é uma adolescente com uma personalidade difícil (como todos os adolescentes) que está no último ano do secundário numa escola Católica em Sacramento, na Califórnia. Lady Bird sente que merece mais do que aquilo que tem: uma vida melhor, algo diferente para finalmente descobrir quem é. Este nome – inventado por ela própria – faz parte da sua rebeldia e insistência em se identificar de uma forma diferente daquela que lhe é imposta pela sua família e pela sociedade em geral.

A cena de abertura apresenta-nos perfeitamente o mood do filme e a dinâmica entre Lady Bird e a sua mãe Marion (Laurie Metcalf). É a primeira e última vez que as vemos concordar com algo em todo o filme, pois logo de seguida, Lady Bird expressa impacientemente a sua intenção de ir para uma universidade fora de Sacramento “onde a cultura está”, algo que a sua mãe não está a favor.

Apesar de seguirmos Lady Bird na sua viagem até alcançar algum nível de maturidade, o centro emocional do filme é a relação entre mãe e filha. Marion não sabe como lidar com esta fase da vida de Lady Bird e as duas não conseguem comunicar, parece que não falam a mesma língua. Mas Marion faz o que pode e da melhor forma que consegue, nota-se que realmente se preocupa. Ser pai é também um processo de aprendizagem e Laurie Metcalf consegue transmitir isso através de uma performance fantástica.

O filme retrata o quão impossível é para os adolescentes reconhecer que os seus pais também são pessoas e têm vida emocional. É difícil reconhecer o sentimento de abandono que sentem quando os seus filhos saem do ninho, muitas vezes têm de esconder os seus sentimentos e ânsias desta separação, o que requer um grande sacrifício.

 

- I want you to be, the very best version of yourself that you could be.

- What if this is the best version?

 

Lady Bird não é inovador nem um projeto ambicioso, mas é competente naquilo que tenta alcançar. Vai buscar ideias a filmes dos anos 80 com a mesma temática, como os filmes de John Hughes sobre a angústia de ser um adolescente incompreendido. Não é nada que nunca tenhamos visto, é uma ideia bastante cliché até, mas bem executada: Faz um bom balanço entre comédia e drama, os diálogos fluem naturalmente, as personagens são autênticas e tem um ótimo elenco, uma boa cinematografia e edição. Gerwig decide não contextualizar as suas cenas, por isso, muitas vezes sentimos que entramos a meio da cena e as coisas já estão a acontecer.

Dito tudo isto, e como se pode reparar, tenho sentimentos contraditórios sobre o filme. Tecnicamente não tenho nada a apontar e o seu ponto forte é realmente a relação de amor/ódio entre mãe e filha. Os seus confrontos de ideias e explosões tocam nos pontos certos, mas, infelizmente, no resto do filme faltou-me algo.



Penso que as nomeações deste filme feitas pela Academia se devem às controvérsias de Hollywood. Com as acusações sexuais que surgiram em massa o ano passado, com os movimentos #MeToo e #Time’s Up e esta constante pseudo-validação do poder das mulheres, quase que parece que são obrigados a incluí-las em grandes categorias para que não haja qualquer tipo de revolta. É claro que as mulheres devem ser reconhecidas pelo seu trabalho, e é claro que o fazem tão bem como os homens, mas isso não deve ser um fator preferencial. Os filmes devem ser avaliados pela sua qualidade, independentemente de quem os realizou ou protagonizou. Qualquer dia é obrigatório incluir todo o tipo de minorias para que ninguém se sinta ofendido. Esta era do “politicamente correto” está a dar cabo de mim. Atenção, não estou a dizer que não são questões importantes, mas quando utilizadas sob falsas pretensões, simplesmente não fazem sentido.

Não considero Lady Bird um filme que deva estar nos Oscars, há outros de 2017 que mereciam o seu lugar, mas não é de todo um mau filme. Recomendo a sua visualização desde que não terminem o filme e digam: “para um filme feito por uma mulher, é um bom filme”. Isso sim, é redutor.

Lady Bird não é um filme perfeito, mas é uma agradável experiência e entretém. Apesar de achar que Greta Gerwig não deu tudo o que tinha a dar, vou estar atenta ao seu percurso na área da realização.


Sara Ló
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   6
 Bernardo Freire:   8
 Rui Lourenço:   8
 Rafaela Teixeira:   7
 Alex Duarte:   7
 Rafael Félix:   8
 Pedro Quintão:   7
 Margarida Nabais:   10
 Filipe Lourenço:   8