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Three Billboards Outside Ebbing, Missouri(2017)

Há 2 anos | Crime, Drama, | 1h55min

de Martin McDonagh, com Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Caleb Landry Jones, Zeljko Ivanek, Peter Dinklage e Lucas Hedges


Martin McDonagh, argumentista e diretor britânico que em 2012 lançou Seven Psychopaths, prova em Three Billboards Outside Ebbing, Missouri que relacionar crime com comédia é o seu maior trunfo. Nesta mais recente obra, McDonagh junta, a tudo isso, todo um drama que promete agarrar tudo e todos. E se agarrou…

O filme apresenta-nos Mildred Hayes (Frances McDormand), uma mãe revoltada com a justiça da sua cidade uma vez que a Polícia local, liderada pelo Xerife Willoughby (Woody Harrelson), foi incapaz de resolver o caso de violação e homicídio que tirou a vida a Angela Hayes, filha de Mildred.

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri não é, de todo, o filme que estamos à espera que seja. Podemos entrar no filme com a expetativa de uma comédia negra, mas violenta, mas a verdade é que o filme é muito mais que isso. Brutal (no sentido da brutalidade, claro), hilariante e original.

O argumento é, sem qualquer dúvida, o melhor do filme, ainda que não seja o único ponto positivo (de longe). Aliás, se o filme tem um bom argumento, tudo à volta acaba por ganhar mais vida e os atores acabam por ter uma vida mais ‘facilitada’. Um assunto delicado abordado de uma maneira pouco comum, com momentos de comédia negra e acentuada carregadas, em grande parte, pela magnífica performance de Frances McDormand (regressando à ribalta depois de Fargo (1996)), ao lado de excelentes atuações de Harrelson e Sam Rockwell, que vestiu a pele de Dixon: um polícia ofensivo, racista, intolerante e, sobretudo, incompetente.

A partir de uma ideia simples e não propriamente inovadora, o argumento acaba por desencadear uma série de sequências tão absurdas, como surpreendentes que se tornam credíveis porque são executadas por personagens extremamente ricas. Desde o agridoce Willoughby, passando por Dixon e chegando até a Charlie (John Hawkes) – ex-marido de Mildred –, há toda uma essência psicológica na construção destes personagens secundários que nos interessam e nos instigam a querer saber mais e mais sobre eles. Fantástico.



Three Billboards Outside Ebbing, Missouri é um filme de vingança. Mas não só. É um filme em que as emoções e alianças mudam continuamente numa história rica e cheia de complexidades que interessam à audiência. Uma exploração poderosa sobre a tristeza, a injustiça… a redenção e o perdão. É um filme que nos faz questionar todos os nossos pontos vistas.

A nível técnico é muito bom também. Embora a fotografia de Ben Davis não seja fenomenal, é bastante agradável e cumpre nos requisitos do filme; Carter Burwell cria toda uma soundtrack ajustada ao argumento de maneira a potenciar ainda mais todos os grandes momentos do filme. Os departamentos de arte merecem, também, uma menção uma vez que é igualmente um ponto forte do filme, apresentando cenários sempre ajustado às personagens e que nos revelam as personalidades de cada uma delas.

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri marcou presença nos Globos de Ouro com várias nomeações, ganhando os prémios para Melhor Argumento, Melhor Atriz em Filme Dramático (Frances McDormand), Melhor Ator Secundário em Filme Dramático (Sam Rockwell) e, juntando a isso, o prémio de Melhor Filme. Com isto, não tenho as mínimas dúvidas de que esta longa-metragem escrita e dirigida por Martin McDonagh vai estar presente na próxima edição dos Óscares, podendo facilmente ser nomeada para Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Atriz e Melhor Argumento.

É um filme a ver por todos.


Pedro Horta
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   9
 Bernardo Freire:   8
 Rui Lourenço:   9
 Sara Ló:   9
 Pedro Freitas:   8
 Alex Duarte:   9
 Rafael Félix:   10
 Pedro Quintão:   8
 Margarida Nabais:   9
 Filipe Lourenço:   8