O argumento é o mais superficial possível e foca-se apenas em criar momentos de entretenimento.

O argumento é o mais superficial possível e foca-se apenas em criar momentos de entretenimento.

2018
Ação, Thriller | 1h42min
de Rawson Marshall Thurber, com Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han, Roland Møller, Noah Taylor e Byron Mann


Dwayne Johnson, mais conhecido como The Rock, é o ator mais bem pago de Hollywood e, consequentemente, um dos que mais trabalho tem como ator. São já 39 longas-metragens no currículo do ator que só em 2018 já protagonizou Rampage e Skyscraper e tem, ainda, quatro filmes previstos para o ano que entra.

Johnson volta a juntar-se a Rawson Marshall Thurber, com quem já trabalhara em Central Intelligence (2016), para dar vida a Will Sawyer, um ex-militar que perdeu uma das pernas na sua última missão e que agora trabalha como responsável de segurança no edifício mais alto do mundo – Pearl. Swayer vê-se numa luta contra o tempo para salvar a sua família que se encontra dentro do Pearl, quando este incendeia por dentro.

Comecemos por Thurber. O seu currículo é conhecido pela comédia e em Skyscraper, o realizador norte-americano estreia-se ao leme de um blockbuster milionário com ação em todas as frentes e uma grande quantidade de explosões enormes. Thurber é, possivelmente, o trunfo do filme. A sua realização tem pormenores muitíssimo interessantes e parece saber sempre o que está a fazer. Lê as cenas muito bem e não esconde o foco da tensão criada em momento nenhum. Evita os planos fixos, tal como o filme assim o pede, e usa o slow motion nos momentos ideais. É certo que num ou noutro momento se repete ou foge um pouco à qualidade que vem apresentando, mas nunca deixa o assunto descarrilar.

Skyscraper é mais um filme com um orçamento enorme que promete trazer a história cliché do “papá” que tem de colocar a sua vida em risco em prol da tentativa de salvar a sua família. Não é necessário nomear filmes que tenham esta a sua base, certamente que vos vieram vários nomes à cabeça, não é Liam Neeson?

O filme não precisa de nos ambientar ao facto de irmos presenciar momentos realisticamente duvidosos, porque todo o seu conceito já o é, e a longa sabe jogar com esse fator. Embora a maioria destes momentos sejam aceitáveis, confesso que há um momento em particular que me desagradou de tão ridículo que é. A certa altura – e não dou spoiler nenhum narrativo – Sawyer tem de escalar pelo exterior do edifício que é totalmente coberto por vidro. Para isso, Will envolve as suas mãos e pés em fita-cola (da mais normal possível) e usa-a como ventosas precisamente para se deslocar no exterior do arranha-céus. Ora, é só a mim que isto me parece impossível? E mesmo dando um benefício da dúvida… A quantidade de vezes que Will se cola e descola seriam mais que suficientes para que a cola se esgotasse e Sawyer se esbarrasse lá em baixo.

Os grandes defeitos de Skyscraper são, naturalmente, o seu argumento e consequentemente as suas personagens. O argumento é o mais superficial possível e foca-se apenas em criar momentos de entretenimento, o que faz com que as suas personagens sejam movidas a ações que têm de acontecer para que outras se desenrolem, do que propriamente terem motivações fortes para as fazerem.

De todas as personagens, apenas duas têm, para mim, motivos minimamente aceitáveis para fazerem o que fazem: Will Saywer, naturalmente, e Ben (Pablo Schreiber – o protagonista de Den of Thieves (2018)). De resto, todo o filme parece ter sido construído com base em Mission: Impossible – Fallout (2018)… Primeiro decide-se as loucuras que se querem criar, depois logo se pensa numa história. Acontece que uns sabem fazê-lo melhor que outros.

Resumindo, Skyscraper é um blockbuster que até tem um ritmo agradável e entretenimento básico acompanhado de explosões e troca de galhardetes. Não é um filme que se queira ver para se aprimorar o gosto cinematográfico mas pode entreter num domingo à tarde. Confesso que fico feliz por Dwayne Johnson… Passar dos efeitos visuais de Rampage para os de Skyscraper pode ser visto como uma promoção na vida.


por Pedro Horta