O argumento é confuso e torna-se numa mixórdia que sofre de uma crise de identidade.

O argumento é confuso e torna-se numa mixórdia que sofre de uma crise de identidade.

2018
Comédia, Drama, Romance
de Peter Segal, com Jennifer Lopez, Vanessa Hudgens, Leah Remini, Treat Williams, Milo Ventimiglia e Charlyne Yi


Durante toda a sua vida, Maya (Jennifer Lopez) sentiu-se inferior devido à sua falta de estudos e pelo seu passado complicado e cheio de dificuldades. Hoje em dia vive com o seu namorado Trey (Milo Ventimiglia, de Heroes – 2006-2010 e This is Us – 2016-?), que quer começar uma família, mas Maya está reticente em ter filhos, fazendo com que a relação entre os dois fique um pouco tremida. Além disso, trabalha há 12 anos numa loja e estava à espera de uma promoção, mas o cargo executivo é cedido a um homem com estudos. Basicamente, não consegue o emprego porque não teve a possibilidade de estudar na faculdade.

O seu afilhado Dilly (Dalton Harrod), cria uma persona online para Maya, com direito a um falso currículo e falsos perfis nas redes sociais. De repende é uma licenciada em Wharton e Harvard e foi voluntária no Corpo de Paz. Apesar de possuir a experiência e as capacidades necessárias para conseguir o emprego que quer, decide construir uma carreia baseada numa mentira. Naturalmente, estas “capacidades” resultam numa oferta de trabalho de uma grande empresa, onde é contratada para desenvolver um produto orgânico para a pele, enquanto compete directamente com a executiva da linha de cosméticos, Zoe (Vanessa Hudgens), filha do seu patrão.

I wish we lived in a world where street smart equaled book smart.

Há semelhanças entre Second Act e Maid in Manhattan (2002), outro filme protagonizado por Lopez, onde interpreta uma empregada de um hotel que é introduzida a um mundo de luxo após ser confundida com uma socialite. Portanto se não são fãs dessa comédia romântica, o mais provável é que aconteça o mesmo com Second Act.

O realizador Peter Segal, conhecido por outras comédias medianas como Tommy Boy (1995), 50 First Dates (2004) e Get Smart (2008), não consegue alcançar com Second Act um filme coerente. Parece um aglomerado de 3 ou 4 histórias numa só, sem conseguir desenvolver por completo nenhuma delas. O argumento é confuso e torna-se numa mixórdia que sofre de uma crise de identidade, tal como a sua personagem principal. Nos créditos ficamos a saber que Jennifer Lopez é, além de protagonista, produtora do filme – isto pode ser uma dica para não se aventurarem nesta obra.

Second Act é um filme sobre amizade, amor e inspiração, com um público-alvo acima dos 35 anos que é constantemente bombardeado com espécies de lições morais que indicam que ninguém é demasiado velho para mudar de vida e seguir um novo caminho para ser feliz, apresentando todos os tipos de clichés sobre auto-confiança. O problema é que o filme decide que para isso acontecer é necessário mentir e criar uma pessoa fictícia que não representa, de todo, quem somos na realidade.

Com uma comédia muito aquém do desejado, plot twists completamente previsíveis e crises dramáticas resolvidas com montagens acompanhadas por música pop, chego à conclusão que um second act é aquilo que o próprio filme em si precisa. Se poderem, deixem este de lado.


por Sara Ló