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Rear Window(1954)

Há 18 dias | Mistério, Drama, | 1h52min

de Alfred Hitchcock, com James Stewart, Grace Kelly, Wendell Corey, Thelma Ritter e Raymond Burr


Um filme do mestre do suspense, Alfred Hitchcock não é para ser visto como qualquer outra obra. É para assistir e saborear como um bom vinho cuidadosamente guardado numa adega em temperatura ambiente. Rear Window é considerado pela crítica especializada como um dos melhores filmes da História do Cinema. Concordo tanto com os críticos.

O que nos conta o filme?

Devido a um acidente de trabalho, o repórter-fotógrafo L.B. Jeffries (James Stewart) partiu uma perna, e é forçado a ficar em casa de cadeira de rodas. Ficar em casa, e sobretudo parado numa cadeira de rodas, torna-se uma verdadeira tortura para este homem, amante de aventura e ação no seu quotidiano. A única maneira de passar o tempo mais rapidamente é de se por à janela e observar o que os seus vizinhos do outro lado da rua fazem. A verdade, é que Jeffries ganha um certo gosto em observar todos os gestos de cada um deles, conhecendo precisamente a rotina de todos. Um dia, tudo o leva a acreditar que o seu vizinho, Lars Thorwald (Raymond Burr) assassinou brutalmente a sua mulher. Nesta investigação, poderá contar com a sua namorada Lisa Fremont (Grace Kelly), que primeiro não o leva a sério, mas que depois acaba por ser levada pelo jogo desta perseguição.

Hitchcock entrega ao espetador um filme como uma investigação incrível. Um misto entre o policial e o voyeurismo. Para sublimar o seu magnífico argumento, o mestre do suspense utiliza uma realização apenas, e só, em campo e contra-campo. A atenção do protagonista está em determinado pormenor; nós, espetadores descobrimos que pormenor é esse; depois voltamos a ver a reação de James Stewart. É uma autêntica aula de cinema para todos os amantes. Podemos até ir mais longe, e dizer que o protagonista somos nós, espetadores, e que os vizinhos do outro lado da rua são a tela de cinema – aquilo que estamos a assistir com todo o gosto.

A tensão está tão milimetricamente pensada consoante as novas descobertas do protagonista, que há um crescendo ENORME até ao clímax. Se estiverem atentos e absorvidos nesta louca história, irão tremer e ficar demasiado impacientes para a conclusão.

Nada disto seria possível sem as incríveis performances do elenco. James Stewart demonstra que era uma das maiores estrelas do seu tempo, um ator extremamente talentoso, carismático e versátil. É impossível não sentir empatia pela sua personagem. É-nos apresentado todo o seu universo no início da longa-metragem. Conhecemos esta personagem de trás para à frente, e de frente para trás. Depois, tenho de ser sincero, Grace Kelly era provavelmente a mulher mais bonita que existiu na Sétima Arte. Hitchcock filma-a com tanta elegância, tanto amor… desde a sua primeira cena que me foi impossível não me apaixonar. Era talentosa e transmitia uma beleza natural para a tela. O casal deles no filme é genuinamente perfeito – o que me faz ainda mais amar estas personagens.

Rear Window é o meu filme favorito do imenso Alfred Hitchcock. Aquele que mais me fez passar por todas as emoções. Esta longa-metragem tem tanto sumo, tanta coisa para ensinar e transmitir. Uma irresistível experiência de psicanálise; uma metáfora do cinema; a posição de Stewart na tela; a vida das pessoas do outro lado das janelas; uma investigação policial alucinada. Se nunca viram esta obra-prima do cinema, joguem-se sem pensar. Irão devorar e querer saber se este vizinho, realmente matou, ou não, a sua mulher.


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Rafael Félix:   9
 Rafaela Teixeira:   10
 Raquel Lopes:   10
 Margarida Nabais:   8