Now You See Me trouxe frescura e uma boa história. Isso ajudou a sua tremenda popularidade num ano cheio de obras-primas.

Now You See Me trouxe frescura e uma boa história. Isso ajudou a sua tremenda popularidade num ano cheio de obras-primas.

2013
Crime, Mistério, Thriller | 1h55min
de Louis Leterrier, com Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Woody Harrelson, Isla Fisher, Dave Franco, Morgan Freeman e Michael Caine


2013 foi um ano cheio de bons filmes que rapidamente ganharam popularidade como, vejamos, The Wolf of Wall Street, Prisoners, Thor:The Dark World, Under the SkinIron Man Three, 12 Years a Slave, Dallas Buyers Club ou Gravity, para nomear alguns. Mas um dos que mais marcou a sua posição no parâmetro da popularidade foi Now You See Me, de Louis Letterier.

O curriculum de Letterier era mediano e maioritariamente de ação, mesmo com a inclusão The Incredible Hulk (2008) do MCU, mas isso não foi impeditório para Leterrier ser chamado a dirigir um filme de magia que se popularizou, sobretudo, pela sua sensação de frescura.

Now You See Me, escrito por Ed Solomon, Boaz Yakin e Edward Ricourt, conta-nos a história de Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), Merritt McKinney (Woody Harrelson), Henley Reeves (Isla Fisher) e Jack Wilder (Dave Franco), quatro ilusionistas de rua que são escolhidos a dedo por uma identidade chamada de The Eye – enquanto atuam sob a batuta do milionário Arthur Tressler (Michael Caine) –, para criarem três enormes truques de magia. Truques que não chegam perto, sequer, de serem legais despertam a atenção do FBI, numa operação comandada por Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) e pela representante da Interpol Alma Dray (Mélanie Laurent), e do ex-ilusionista Thaddeus Bradley (Morgan Freeman) que agora ganha a vida a revelar os segredos dos mágicos.

O filme tem a qualidade de ser altamente cativante do início ao fim, com um ritmo bastante intuitivo que se conecta na perfeição com a história que está a ser contada. A juntar a isto, as personagens são interessantes individualmente e complementam-se. A narrativa raramente tem momentos mortos que quebrem o ritmo e isso é uma mais-valia, sobretudo num tema já tão visto.

Um dos pontos fortes do argumento é a vasta quantidade de plot twists que contém. Estão colocados nos sítios ideais da narrativa, aumentam sempre a vontade do espetador em ver mais e mais. E é um dos pontos fortes porque, se olharmos perto – mas não muito perto, se não deixamos de ver (como diz Daniel Atlas) –, o guião de Now You See Me está estruturado precisamente como um truque de ilusionismo. Todos os truques têm sua parte de plot twists e é precisamente nisso que a longa-metragem se baseia.

As performances são maioritariamente muito boas e Eisenberg, Franco e Fisher mostram-se capazes de nadar no mesmo lago com nomes como Caine ou Freeman. Destaque para Eisenberg que, à semelhança do que viria a fazer em The Social Network (2015), mostra-se tremendamente confortável no papel de controlador. É um ator ideal para este tipo de personagens.

Incomoda-me, de certa forma, o plot final. Não me quero adiantar muito, naturalmente, mas confesso que tenho um sentimento agridoce sobre o assunto. Embora tenha gostado, revendo os momentos de todo o filme, encontro uma vasta quantidade de ‘porquês’ à personagem que não encaixam com o desfecho. Depois, pergunto-me onde raio se meteu Tessler a partir de certo momento. A personagem de Michael Caine faz o seu próprio truque de magia e puff… Qual é o seu desfecho?!

Ainda assim, Now You See Me trouxe, na altura, frescura e uma boa história. Isso ajudou, e de que maneira, a sua tremenda popularidade num ano cheio de obras-primas. A realização de Letterier e a banda sonora de Brian Tyler são bastante agradáveis e leem cada personagem, cada cena e cada momento muito bem, elevando a qualidade geral do filme. É um filme que facilmente fica na memória, com algumas cenas marcantes.


por Pedro Horta