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The Babysitter(2017)

Há 2 anos | Terror, Comédia | 1h25min

de McG, com Judah Lewis, Samara Weaving, Robbie Amell, Hana Mae Lee, Bella Thorne e Emily Alyn Lind


Da mente de um jovem amante de filmes de terror esta podia ser uma história ideal do seu imaginário, ou até um sonho conturbado de uma noite em que tudo deu para o torto. Aliás, todo o filme só pode derivar de um sonho fervente do argumentista Brian Duffield, porque existem tantas falhas no guião que só assim podem ser justificadas. The Babysitter do diretor McG transforma um primeiro ato promissor numa série de sequências que falham quer no terror como no humor, revelando-se difícil de tolerar, mesmo para os apreciadores do género.

Judah Lewis interpreta Cole, um jovem peculiar de 12 anos, frequentemente amedrontado, que sofre bullying por parte dos seus pares. É no entanto invejado pela sua deslumbrante ama, Bee (Samara Weaving), apesar de já não ter idade para ter uma. A sua relação com Bee é ótima, divertem-se muito um com o outro e discutem ideias de filmes de ficção científica que incluem Predators (1987) e Aliens (1986), para referir uns poucos. Tem também uma melhor amiga chamada Melanie (Emily Alyn Lind) que empurra involuntariamente Cole para o seu azar numa noite em que os pais de Cole (Ken Marino e Leslie Bibb) estão fora de casa e Bee demonstra o seu lado mais obscuro.

É para meu agrado (e alívio!) um filme curto – 1h:25m, com créditos incluídos. De todo esse tempo, os primeiros 20/25 minutos são sólidos. As introduções são feitas, a química entre Cole e Bee está presente e até as sequências revelam alguma invenção, inclusive a direção de fotografia de Shane Hurlbut. Contudo, quando o momento chave acontece e o enredo necessita de começar a ganhar forma e direção, tanto Duffield como McG estagnam completamente. Não têm a confiança necessária para canalizar a narrativa e o resultado é uma confusão de elementos “aterrorizadores” e “engraçados” que nunca resultam na totalidade.



A constante referência a filmes passados apenas deprecia ainda mais The Babysitter pois torna-se evidente que não tem nada de novo para dizer. Em termos lógicos, falha redondamente. Quando existe a oportunidade para fugir de casa, Cole ignora essa possibilidade. Quando barulhos, gritos histéricos e armas são disparadas, nenhum dos vizinhos ouve. Quando é conveniente os assassinos param de se comportar como assassinos – o realizador pensa que é um momento oportuno para fazer uma piada, o que não se materializa. Como se não bastasse, os comportamentos heróicos de Cole vão diretamente contra as características da sua personagem, como se a falta de coragem se desvanecesse em instantes oportunos.

A atmosfera, a música circunstancial de Douglas Pipes, tudo parece demasiado conveniente e artificial em vez de simples e assustadoramente engraçado. McG não é um diretor com um cartório muito bem-sucedido de qualquer forma, filmes como This Means War (2012) e 3 Days to Kill (2014) são exemplos do fracasso da sua direção. Em sua defesa, não é fácil fazer um bom filme, apenas um punhado de pessoas realmente conseguem. Mesmo que The Babysitter não fosse propriamente um filme para levar a sério, precisava de um fio condutor para não balançar permanentemente na incerteza e na incoerência.


Bernardo Freire
Outros críticos:
 Sara Ló:   5
 Pedro Quintão:   8
 Rafaela Boita:   7
 Alexandre Costa:   4