Não é pretensioso, nem o tenta ser, é apenas muito mediano.

Não é pretensioso, nem o tenta ser, é apenas muito mediano.

2016
Ação, Aventura
de Bryan Singer, com James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Oscar Isaac, Rose Byrne, Evan Peters, Tye Sheridan e Sophie Turner

Bryan Singer é sem dúvida o pai da saga X-Men nos cinemas. Foi o pioneiro de tudo. Se há algo que os fãs criticaram bastante, foi o facto de ele não ter realizado: X-Men: The Last Stand (2006), pois, o filme foi um naufrágio. Com o bom First Class (2011) e o seu regresso na saga com o precedente Days of Future Past (2014) o realizador finalmente iria concluir a sua franquia, com o fechar da trilogia. É assim que chega X-Men: Apocalypse.

O que nos conta o filme?

Nascido há mais de 5000 anos no antigo Egito, En Sabah Nur/Apocalypse (Oscar Isaac) é o primeiro mutante de sempre. A sua capacidade em mudar de aparência, a sua força excecional, os seus poderes de telepatia e de teletransporte, tornam-no imortal e invencível, acabando por ser idolatrado como um deus. Depois de um sono de vários milhares de anos, acorda, desiludido com o mundo que descobre. Ele quer mudar drasticamente as coisas, reúne então, mutantes poderosos, incluindo Magneto (Michael Fassbender) para criar uma nova ordem de governo e limpar a humanidade. O Professor Charles Xavier (James McAvoy) e a Raven (Jennifer Lawrence) terão de unir forças para confrontar o inimigo mais perigoso que jamais enfrentaram e salvar a humanidade de uma destruição total.

Não vos vou mentir, este terceiro filme da nova trilogia é uma desilusão. É uma nódoa negra depois de dois soberbos filmes. A ambição ultrapassou a qualidade, perdendo a eficácia e coerência durante toda a longa-metragem.

O principal problema de X-Men: Apocalpyse é o seu antagonista, o tal Apocalypse. É um vilão ultra caricatural, sem profundidade nenhuma, que só deseja destruir o mundo… “porque sim”. Não há nenhuma subtileza nos seus desejos e fisicamente é kitsch. O fato, a sua cor de pele, o capacete, a sua voz, tudo, não há nada que esteja conseguido. Ter o primeiro mutante de sempre, o tal mais poderoso ou a Enchantress (Cara Delevingne) de Suicide Squad é igual – são péssimos antagonistas.

O segundo problema são os desenvolvimentos dos protagonistas. São um desastre! Raven e Magneto estão num loop com o mesmo discurso desde First Class. Em 20 anos não há uma única progressão. Tentaram desenvolver ligeiramente mais o Charles, mas sem sucesso. As novas personagens – Jean Grey (Sophie Turner), Scott Summers (Tye Sheridan), Nightcrawler (Kodi Smith-McPhee), Angel (Ben Hardy), Storm (Alexandra Shipp) ou Psylocke (Olivia Munn) estão todas mal introduzidas e não existe nenhum sentimento de empatia entre a audiência e eles.

O filme ganha pontos com as suas cenas de ação – a batalha final parece ter saído diretamente de um comic-book e no geral, estamos perante um entretenimento que não é de todo desagradável. Não é pretensioso, nem o tenta ser, é apenas muito mediano perante os seus dois anteriores. Se tiverem acompanhado toda a saga, só me resta dizer-vos: why not? Para os restantes, a saga X-Men devia ter concluído com Days of Future Past.

Só de pensar que está Dark Phoenix nos cinemas…


por Alexandre Costa