Não posso deixar de recomendar que vejam esta fofura de filme, de preferência, junto da vossa família.

Não posso deixar de recomendar que vejam esta fofura de filme, de preferência, junto da vossa família.

2018
Animação, Aventura, Drama
de Mamoru Hosoda, com Moka Kamishiraishi, Haru Kuroki, Gen Hoshino, Kumiko Aso e Yoshiko Miyazaki


Confesso que sou uma enorme fã de animação japonesa AKA anime, e estava realmente entusiasmada para ver o novo filme de Mamoru Hosoda, que já me fez muito feliz com filmes como The Girl Who Leapt Through Time (2006) e Wolf Children (2012), dois filmes especiais onde a visão artística do realizador é marcada por importantes lições de vida disfarçadas com uma estética colorida e divertida. Hosoda sabe perfeitamente como contar histórias slice of life, sobre aspectos mundanos e realidades do quotidiano, mas sempre com twists fantasiosos.

Na sua nova animação Mirai no Mirai, o nosso protagonista é Kun, um menino de 4 anos que ainda não sabe controlar os seus actos e emoções. Kun é filho único, isto é, até os seus pais trazerem para casa a nova adição da família: a sua gorducha e recém-nascida irmã Mirai (que significa "futuro" em japonês). Esta situação faz com que o jovem rapaz, outrora centro das atenções, se sinta desprezado e revoltado, fazendo birras desnecessárias, gritando e chorando sempre que a sua irmã recebe mais atenção que ele.

Na casa desta bonita família (desenhada pelo pai de Kun, que é arquitecto), entre o quarto dos brinquedos e a cozinha, existe um pátio com uma árvore. É neste local que a premissa fantasiosa de Hosoda aparece e a magia acontece: Kun misteriosamente recebe visitas sobrenaturais do passado, do presente e do futuro, que aparecem como uma espécie de fantasmas de A Christmas Carol (1843). Estas visitas de membros de múltiplas gerações da sua família, fazem com que Kun aprenda variadas lições de vida, ao mesmo tempo que mexem com as dimensões espácio-temporais.


Eu era o príncipe desta casa, antes de tu nasceres.


Mirai conta esta história através dos olhos de uma criança, mostrando-nos os seus mais profundos pensamentos e o caos emocional pelo qual está a passar. Acaba por ser um filme sobre o crescimento interior de um pequeno rapaz, mas também sobre o crescimento da família, que vai aprendendo a lidar com as situações complicadas ao longo do tempo.

Quando os elementos de fantasia aparecem, Mirai desdobra-se em pequenos episódios, quase como pequenas histórias, com pedaços de informação que não contribuem necessariamente para o desenvolvimento da narrativa, mas é esse o objectivo: conhecemos realmente todos os aspectos da família de Kun - como agem, o que comem, o que fazem e o que sentem. São estas pequenas fracções das vidas destas personagens e a trivialidade dos acontecimentos que fazem com que Kun valorize os pequenos momentos da vida e aprenda como estes ajudam a moldar a sua personalidade. No centro de tudo, está o mais importante: a família.

A atmosfera e ambiência de Mirai é extremamente acolhedora. Hosoda usa criativamente diferentes estilos de animação para diferenciar o presente, das "viagens" no tempo e no espaço. É sem dúvida um filme cheio de boas intenções, com elementos que podem agradar a pequenada e também os adultos (de formas diferentes), mas atenção que pode ser um pouco confuso para crianças mais jovens.

Mirai no Mirai foi o filme de Mamoru Hosoda que menos gostei até agora, mas isso não significa que seja um mau filme, pelo contrário. Tendo em conta o seu reportório de animações excelentes, simplesmente bom pode desapontar aqueles já familiarizados com o seu trabalho. Ainda assim não posso deixar de recomendar que vejam esta fofura de filme, de preferência, junto da vossa família.


por Sara Ló