Não marca, mas certamente que está acima de alguns nomes já lançados este ano no cinema português.

Não marca, mas certamente que está acima de alguns nomes já lançados este ano no cinema português.

2018
Ação, Comédia, Crime
de Luis Ismael, com Francisco Menezes, Luis Ismael, Enrique Arce, Eric da Silva, J.D. Duarte e João Pires


Luís Ismael ficou conhecido por ter trazido ao cinema português a trilogia de Balas & Bolinhos (2001-2012). Seis anos depois, regressa à grande tela, novamente não só como realizador e argumentista, mas como ator e produtor do novo filme de ação e comédia português, Bad Investigate, que conta com um elenco não só nacional como além-fronteiras.

O argumento de Ismael dá-nos a conhecer Alex (Luís Ismael) e Cid (Francisco Menezes), dois amigos que não souberam vingar na vida de polícia e que atualmente são chantageados pelo Subcomissário Romeu (J.D. Duarte) de forma a fazerem detenções fora do registo, de modo a que a Polícia, mais tarde, só tenha de enviar os criminosos para a cadeia, fazendo com que Romeu evite toda a papelada. As coisas caem para o lado do torto quando o barão da droga Xavier Cruz (Enrique Arce – La Casa de Papel (2017)), também conhecido por El Dedo, entra na equação, obrigando a Polícia Judiciária a destacar o mais temível dos inspetores para o caso: Inspetor Canhão (João Pires).

Para quem viu – ou se lembra de algum dos três Balas & Bolinhos –, não será difícil ver que Luís Ismael agarrou num elenco que resultou e o repetiu, acrescentando novos nomes. Da trilogia para Bad Investigate transitam não só o próprio Luís Ismael, como também Francisco Menezes, J.D. Duarte e João Pires. A eles junta-se – num maior destaque de papéis – Eric da Silva, Enrique Arce e Robson Nunes.

A história em si é linear, mudando o conceito que parece vir a ser implementado recentemente no cinema português em que se têm diversos enredos que se conectam por mero acaso. Não é espetacular e a falta de ritmo prejudica a longa-metragem. Embora bem editado, Bad Investigate carece de momentos que prendam o espetador, que o cativem. Existem diversas ações que não oferecem consequências e que ocupam apenas tempo de tela.

O elenco, ainda que repetente, sai prejudicado por ter havido a ambição de trazer nomes internacionais para a equipa. Arce mostra que não é apenas capaz de dar ao mundo um Arturito irritante que não sabe estar no seu sítio e rouba o protagonismo todo do filme para si. É realmente fantástico e, mesmo que a sua personagem por vezes se sinta com falta de apoio narrativo, Arce procura maneiras de não mostrar isso para a plateia. Robson Nunes, embora pouco presente no filme, tem uma presença que consegue ocupar o protagonismo, não deixando muito para quem contracena consigo. Para além destes nomes, o filme parece sempre ter personagens demasiado superficiais para as tramas que tenta apresentar.

A nível técnico, o filme não consegue evitar em todas as alturas o seu baixo orçamento, mas Luís Ismael tem pormenores bastante interessantes enquanto realizador e é muito bem apoiado pela fotografia de Francisco Vidinha que é, possivelmente, o destaque técnico do filme, ainda que não seja sempre constante.

Em suma, tal como Ismael disse antes do filme estrear, Bad Investigate é comercial precisamente porque existe pouco apoio para a ficção nacional. É uma forma de expandir mercados, na esperança de que melhores apoios venham.

Não é espetacular nem marcante, mas tem um objetivo em mente e nota-se que todos os elementos do filme – desde o elenco à maquilhagem, passando por todos os outros departamentos – fizeram tudo o que lhes foi possível para se obter o melhor resultado. E isso é de louvar. Repetindo-me: Não marca, mas certamente que está acima de alguns nomes já lançados este ano no cinema português.


por Pedro Horta