Não deixa de ser uma deceção para os verdadeiros fãs da franquia. Não acrescenta nada de novo ao género.

Não deixa de ser uma deceção para os verdadeiros fãs da franquia. Não acrescenta nada de novo ao género.

2018
Horror | 1h46min
de David Gordon Green, com Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, James Jude Courtney e Nick Castle


Halloween (2018) realizado por David Gordon Green chega até nós como a continuação direta e legítima do filme original Halloween (1978) de John Carpenter, ignorando os 9 filmes entre o original e este. As expectativas dos fãs – incluindo as minhas, eram elevadas. Mas será que este novo filme conseguiu alcançar o sucesso do original?

Michael Myers está de volta. A história começa com a ida de dois jornalistas de investigação ao manicómio, onde se encontra o homicida. Laurie Strode (Jamie Lee Curtis)  que quase foi assassinada por ele, vive traumatizada e obcecada com a vingança. Tornou-se numa mulher badass que criou a filha (Judy Greer) de maneira extrema, o que teve consequências na relação entre as duas. A história começa verdadeiramente quando Michael, durante a deslocação para um novo local, consegue escapar e inicia um ciclo de assassinatos na noite de Halloween.

Esta sequência em que vemos Myers a matar por matar é, a meu ver, a melhor. A câmara filma da parte de fora das casas, fazendo-nos observar o psicopata em ação através das janelas, à distância, representando a frieza com que mata as suas vítimas. Numa interpretação mais extremista, estaríamos a assistir aos assassinatos de Myers através de camadas de vidro que refletiriam além das mortes, o reflexo da sua alma inexistente.

O realizador recupera a estética do filme original, o que me pareceu uma escolha ousada, mas interessante, trazendo um certo sentido nostálgico. A escolha da manutenção da famosa banda sonora da saga também denuncia esta intenção, sendo um fator positivo.

Existe uma mensagem relevante de empoderamento feminino que surge subtilmente associada à personagem de Jamie Lee Curtis. É uma protagonista que se destaca no filme com uma representação forte. Infelizmente, o argumento não a ajuda a brilhar mais.

O enredo não capta totalmente a nossa atenção e peca, muitas vezes, por apresentar subenredos que servem apenas para preencher tempo – não são desenvolvidos, nem acrescentam nada à história. As cenas têm um ritmo rápido e trazem muita informação desnecessária. O último ato, correspondente a uma espécie de juízo final, conseguiu ser o melhor, com um plot twist interessante que trouxe suspense, no entanto o final – claramente a apelar a uma sequela – confirmou a desilusão que já se vinha a sentir ao longo do filme.

Há um excesso de personagens e falhas de construção em algumas delas, como é o caso do médico de Michael (Haluk Bilginer), cuja construção é no mínimo absurda. Os diálogos também não são ricos e facilmente caem no esquecimento. Além disso, a introdução de momentos cómicos não foi uma boa escolha, pois enfraqueceu o ‘terror’ pretendido.

Embora este novo filme tenha já arrecadado milhões apenas no EUA, não deixa de ser uma deceção para os verdadeiros fãs da franquia. Não acrescenta nada de novo ao género. As referências são muitas e mostram a intenção de homenagear o filme original de 1978, não passando disso. Faltou um novo toque visionário. 


por Rafaela Teixeira