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No Country for Old Men(2007)

Há um ano | Crime, Thriller, Western | 2h2min

de Ethan Coen e Joel Coen, com Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald, Garret Dillahunt


Com a era dourada dos westerns no passado, o género infiltrou-se nas restantes categorias de filmes através do legado que deixou. No Country for Old Men, realizado e escrito por Ethan e Joel Coen, é um excelente exemplo de uma narrativa claramente influenciada pelos westerns típicos, mas cujas mudanças e inovações evidenciam uma evolução no género. Neste sentido, pode dizer-se que No Country é um neo-western, um híbrido que sustém um incrível nível de suspense.

No seu nível mais superficial, a história, adaptada do romance do autor Cormac McCarthy, é um jogo de gato e rato. O rato é Llewelyn Moss (Josh Brolin), um caçador do Texas que encontra dois milhões de dólares numa mala depois de um negócio entre cartéis de droga ter corrido mal. Ele procura cobrir o rasto que deixou, mas a sua identidade é descoberta por um homem mortífero chamado Anton Chigurh (Javier Bardem).

À medida que a distância entre ambos fica mais curta, o xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) tenta resolver o caso, ainda que muitas vezes fique frustrado pela quantidade de crimes violentos que encara. Esta deceção reflete a visão pessimista que os realizadores pretendem transmitir com a moralidade de No Country. A saudade de tempos mais apaziguados, ou a ilusão dos mesmos. A sensação de não nos identificarmos com o estado do mundo, uma descrença nas nossas próprias capacidades.

Para dificultar estas questões está o acaso: a moeda que vai ao ar ou o carro que embate repentinamente. Aquela variável incontrolável que em conjunto com a ausência de música (ainda que o design de som esteja apurado) tornam o mundo do filme caótico, severo e imprevisível. O diretor de fotografia Roger Dickens contrasta estes elementos com planos gerais do arenoso estado norte-americano, onde não se vê uma alma e a quietude engana.

É um trabalho que vê os irmãos Coen a tocar novamente em temas de thrillers como Fargo (1996), mas encontrei mais semelhanças com o clássico Psycho (1960). Certos pontos no enredo coincidem, mas o mais impressionante é a forma como os momentos de maior tensão são executados: Metódicos, confiantes no poder da montagem e da sugestão. Certamente que o realizador Alfred Hitchcock estaria orgulhoso.

O testemunho final da qualidade quer dos realizadores como dos atores em geral está nas interpretações. Os três atores principais desempenham funções singulares, sendo que Brolin acaba por ficar um pouco na sombra de Bardem, que tem a oportunidade de encarnar um dos antagonistas mais memoráveis da história recente do cinema. A ancorar toda a narrativa está Tommy Lee Jones, cujo desempenho perpetua a amargura das cenas finais.

No Country for Old Men é o derradeiro passo na carreira dos realizadores. Um filme que atualiza os valores dos westerns e que respeita a sua audiência ao promover a linguagem cinematográfica em detrimento de exposições enfadonhas. Esperem violência, caracterização e o grau de seriedade que cimenta uma história que questiona os valores dos nossos tempos.


Bernardo Freire
Outros críticos:
 Sara Ló:   8
 Alexandre Costa:   10
 Filipe Lourenço:   7