É muito mais do que um filme sobre boxe, é um autêntico drama emocional.

É muito mais do que um filme sobre boxe, é um autêntico drama emocional.

2018
Drama, Desporto | 2h10min
de Steven Caple Jr., com Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad, Dolph Lundgren e Florian Munteanu


É hora de voltar a subir para o ringue. Três anos após Creed (2015), que continuou com brio a saga Rocky e que lentamente contribuiu para a sucessão de Sylvester Stallone para Michael B. Jordan. Steven Caple Jr. assume a realização desta sequela no lugar de Ryan Coogler – ocupado com Black Panther. Creed II chegou às nossas telas no final do mês de dezembro.

O que nos conta o filme?

A vida tornou-se complicada para Adonis Creed (Michael B. Jordan). Entre as suas obrigações a nível pessoal e os seus treinos para o próximo combate, ser um Creed é sinónimo de ação. As apostas perante os combates são cada vez maiores, estando ele perto de alcançar o troféu de Melhor do Mundo dos Pesos Pesados. Subitamente, um velho inimigo de Rocky Balboa (Sylvester Stallone), Ivan Drago (Dolph Lundgren) desafia o jovem Creed a lutar contra o seu progenitor Viktor Drago (Florian Munteanu). Drago é o autor do assassinato de Apollo Creed – pai de Adonis. O desafio atormenta o jovem e, com a ajuda de Rocky e Bianca (Tessa Thompson), entenderá pelo qual se deve lutar e descobrir os valores importantes da vida.

Creed II é um filme intimista e completamente incorporado na saga Rocky.

A sequela de um filme é sempre um marco e, maioritariamente das vezes, um risco. O primeiro receio que se tinha era na realização. Difícil era passar atrás de Ryan Coogler e os seus diversos planos-sequências, assim como o seu trabalho inovador nos combates de boxe. Steven Caple Jr. autor sem grande experiência, aborda a longa-metragem com uma realização trágico-shakespeariana. Definitivamente, não há planos que sejam ultra rápidos, frenéticos ou memoráveis como no primeiro filme. A realização é mais pausada, havendo muitos planos em tripé. Os combates no ringue são essencialmente montados a partir de grandes planos da cara dos personagens em tela – absorvendo as reações com autenticidade. O cineasta faz jus a todo o trabalho criado anteriormente sem cair no cliché de fazer tudo igual aos seus antecessores. Tecnicamente não é tão brilhante, mas, é de boa qualidade.

O argumento de Sylvester Stallone e Juel Taylor brinca entre o passado e o futuro, precisamente, na ligação que existe entre Rocky e Creed. Está de novo presente o tema de herança e adicionados os de superação pessoal e vingança.

A química que existe entre o trio principal faz toda a força do filme. Michael B. Jordan tem uma das melhores performances do ano. É emocionante, mostra toda a sua força e fraqueza em frações de segundos. Todos os dilemas do protagonista estão bem retratados, sendo que nos identificamos a ele com facilidade. É um ator a seguir, por ser dos mais promissores da sua geração. Tessa Thompson é uma atriz de que gosto imenso e, que tem vindo a aparecer cada vez mais. O casal entre Creed e Bianca é credível e gostamos de os ver juntos. Sylvester Stallone não tem nada a provar, mostrando novamente que é um excelente ator e que a sua personagem icónica que é Rocky permanecerá na História do Cinema.

Se tiverem visto algum Rocky Balboa e o primeiro Creed, aconselho-vos sem dúvida em não perder esta aventura que conclui o arco narrativo de uma das personagens mais conhecidas da Sétima Arte. É um filme que vos fará refletir sobre as principais preocupações da vida e do que é que somos capazes de sacrificar por aquilo que amamos. Não pensem que é só um filme sobre boxe, é muito mais do que isso, é um autêntico drama emocional.

Obrigado Mr. Stallone, despediu-se da melhor das maneiras.


por Alexandre Costa