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Missing Link(2019)

Há um mês | Animação, Aventura, Comédia, | 1h35min

de Chris Butler, com Hugh Jackman, Zach Galifianakis, Timothy Olyphant e Zoe Saldana


Poucos são os estúdios que, tal como o LAIKA, se dedicam à arte da animação em stop-motion, e menos ainda são aqueles que o fazem com tamanho sucesso. No currículo do estúdio contam projetos como Coraline (2009), ParaNorman (2012) e até Kubo and the Two Strings, que em 2016 foi nomeado para 2 Óscares da Academia. A sua mais recente entrada é o filme de aventura familiar Missing Link, escrito e realizado por Chris Butler, que em conjunto com uma vasta equipa de peritos em efeitos visuais elevam a fasquia do mundo mágico da animação mesmo que a narrativa no seu núcleo não alcance o mesmo estatuto.

Hugh Jackman lidera um elenco vocal dedicado na voz de um descobridor de criaturas raras chamado Sir Lionel Frost. Na tentativa de se juntar a uma sociedade de caçadores de monstros que o troça, ele parte para a América à procura de uma iteração alaranjada do Pé Grande. Em vez do terrível monstro que seria expectável, Frost encontra Mr. Link (voz de Zach Galifianakis), um homem-macaco gentil que o alicia numa viaja até ao outro lado do mundo em busca de uma tribo que lhe é biologicamente relacionada. Perseguidos por caçadores que os tentam travar, Frost e Link juntam forças com a viúva Adelina Fortnight (Zoe Saldana), e os três partem numa jornada de autodescoberta por entre o desconhecido.

Enquanto a sinopse pode carecer no departamento da originalidade, o concelho artístico de Missing Link dificilmente podia ser mais esforçado e artificioso. Sobre o olhar atento de Butler, o corpo artístico do filme impressiona com uma variedade de modelos e localizações que assentam e dão permissão ao movimento da imagem. Conseguir personagens visualmente tão distintas é um desafio extra em stop-motion, pois até os tamanhos das mesmas têm de ser tidos em conta para que cenários como Inglaterra, Califórnia e até os Himalaias não estejam desconfigurados das personagens.

A história que acompanha o deslumbre visual é tematicamente bem formulada, ainda que o humor e o impacto emocional não sejam sempre certeiros. Isto é, tanto Frost como Mr. Link, por diferentes que sejam, têm um desejo em comum: Encontrar um lugar onde pertencem, seja ele uma sociedade ou uma tribo. Concluídos os seus arcos de personagem, Missing Link resulta porque eles aprendem e evoluem com o conhecimento que vão adquirindo. Falta-lhe, quiçá, alguma memorabilidade, mas é entretenimento sólido quer para crianças como para adultos.

O seu trunfo era a personagem peluda do enredo: gentil, aconchegante, nervoso e sem noções metafóricas, não lhe falta potencial cómico. Só que não basta pôr em prática personagens curiosas num argumento engraçado. Muitas vezes o que distingue um excelente filme de animação de um ótimo filme de animação é a alma das personagens. E nesse contexto a personalidade dos bonecos é meramente prestável. Algo que até podiam melhorar na sequela se a performance financeira do filme não fosse tão lamentável - Apenas 24.155.212,11€ de retorno num orçamento de aproximadamente 92.000.000,00€https://www.cambadadecriticos.pt/review/coraline-uma-fantasia-negra-um-conto-de-fadas-srdido-e-ao-mesmo-tempo-sereno768791


Bernardo Freire
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