McTiernan conseguiu realizar um filme bastante interessante e fortemente adiantado na sua época.

McTiernan conseguiu realizar um filme bastante interessante e fortemente adiantado na sua época.

1988
Ação, Thriller | 2h12min
de John McTiernan, com Bruce Willis, Alan Rickman, Bonnie Bodelia, Reginald Veljohnson, Paul Gleason e William Artherton


Ai os anos 80’. Uma época repleta de filmes de ação e de atores bastante simbólicos na área. Refiro-me a Jean-Claude Van Damme, Steven Seagal, ou aos mais carismáticos Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger - com o qual o realizador John McTiernan se lançou com Predator (1987) – hoje considerado como um filme culto. McTiernan regressa, um ano depois, com uma nova obra e um novo herói: Die Hard, protagonizado por Bruce Willis, no papel mítico de John McClane. Outro filme que marcou uma geração. É com esta longa-metragem desta bela época natalícia que vos trago a crítica de hoje.

O que nos conta o filme?

John McClane (Bruce Willis) é um polícia que reside em New York, que está em plena crise com o seu casal e, vem ter a Los Angeles com a intenção de se reconciliar com a sua esposa Holly (Bonnie Bodelia). Vai ter ao seu encontro, no local de trabalho, uma grande multinacional japonesa com moradores luxuosos num enorme prédio repleto de vidros. Bad Day para McClane – um comando criminoso toma posse do lugar, sob a liderança do vilão Hans Gruber (Alan Rickman). A noite vai ser longa, muito longa.

Die Hard é essencialmente o filme central na carreira de Bruce Willis. Sejamos honestos, é o filme que lhe deu a possibilidade de ser a personalidade que é nos dias de hoje. John McClane é a figura emblemática do final dos anos 80’. É uma personagem muito bem escrita, um herói cool, charmoso, engraçado, que reage à violência com ironia e humor – e sempre com um bom cigarro na boca. O que lhe difere dos outros protótipos de personagens de ação é a sua humanidade, conseguimos perceber e, sentir empatia pelo protagonista.

O argumento funciona pelo azar constante que tem McClane – como a cena onde ele se encontra descalço e todos os vidros da divisão se partem – fazendo com que ele fique ferido nos pés e mande bocas por todos os lados. Willis tem uma performance genial, incorpora um anti-herói forçado a reagir a tudo o que lhe acontece ao longo dos minutos. É contagiado pela má sorte e enfrenta uma situação inimaginável. É um sozinho contra todos! Ele é tão bom, que o grupo de terroristas fica com medo de um, e só, um homem. John McClane é uma personagem tão marcante, que ainda hoje, 31 anos depois, continua a ser uma referência no cinema de ação. Não há um único apaixonado que não o conheça.

McTiernan conseguiu realizar um filme bastante interessante e fortemente adiantado na sua época. A realização é milimetricamente trabalhada. Tornou Die Hard numa obra que não envelheceu com o passar dos anos.

Agora perguntam: “Mas Alexandre tens a certeza que Die Hard é um filme de Natal?” À qual respondo: “Claro que é! Não ouviram os sinos natalícios da banda sonora?” – Esta é para quem viu o filme!

Aconselho Die Hard pelo seu simbolismo na história do cinema, pela realização incrível de McTiernan e pela performance genial de Bruce Willis.

Despeço-me com uma fala que me faz genuinamente rir:

“-Do you really think you have a chance against us, Mr. Cowboy?

-Yipee-ki-yay, motherfucker.” 


por Alexandre Costa