Mary Poppins Returns é claramente uma homenagem ao filme original, mas sinto que alguma da magia desapareceu.

Mary Poppins Returns é claramente uma homenagem ao filme original, mas sinto que alguma da magia desapareceu.

2018
Comédia, Família, Fantasia, Musical
de Rob Marshall, com Emily Blunt, Lin-Manuel Miranda, Ben Whishaw, Emily Mortimer, Julie Walters, Meryl Streep e Colin Firth


A Disney tem constantemente tentado agarrar a audiência através da nostalgia, oferecendo banquetes de remakes live-action, reboots e spin-offs, como Maleficent (2014), Cinderella (2015), The Jungle Book (2016) e Beauty and the Beast (2017). Ainda há muitos por vir este ano – Aladdin, Dumbo, The Lion King – e claro que não podia faltar uma nova adaptação de um dos maiores clássicos e reconhecidos musicais da Disney: Mary Poppins (1964).

A autora P.L. Travers escreveu 8 livros sobre Mary Poppins, publicados entre 1934 e 1988, a ama mágica que aparece na casa da família Banks sempre que precisem dela. Assim, Mary Poppins Returns é a sequela directa do primeiro filme, baseado na sequela literária Mary Poppins Comes Back (1935).

Mary Poppins Returns apresenta-nos Michael Banks (Ben Whishaw) e Jane Banks (Emily Mortimer), agora como adultos. Com três filhos a seu cargo – Annabel (Pixie Davies), John (Nathanael Saleh) e Georgie (Joel Dawson) – Michael perdeu recentemente a sua esposa e está prestes a perder a sua casa. É urgente que encontre o certificado que prova que o seu pai possuía acções do banco para que a família permaneça no seu lar. Tal como o seu pai, Michael também deixou de dar a devida atenção ao que realmente importa, esquecendo-se por completo do que é ser criança. Por isso, a família Banks está novamente em apuros e rodeada de caos. Quem mais poderia aparecer para salvar a situação se não Mary Poppins (Emily Blunt)?

Everything is possible. Even the impossible.

Mary Poppins Returns é claramente uma homenagem ao filme original, mas sinto que alguma da magia desapareceu. A razão principal é a qualidade das canções que, ao contrário das músicas de Mary Poppins, são surpreendentemente esquecíveis e desapontantes. Talvez seja injusto comparar as novas músicas às do original, mas é impossível não o fazer até porque o filme torna essa missão extremamente díficil – cada personagem e cada número musical tem o seu equivalente à versão de 1964.

A verdade é que o costume design de Sandy Powell é constantemente um regalo para os olhos e que Emily Blunt consegue dançar e cantar – como já observámos em Into the Woods (2014), outro musical do realizador Rob Marshall – mas o arco narrativo não é suficientemente forte para se destacar do original. Não há nada particularmente errado com o filme, mas também não há nada particularmente memorável. É apenas aceitável.

Talvez nenhuma outra representação de Mary Poppins no cinema irá igualar o nível do primeiro filme. Sinceramente não vos sei dizer se Mary Poppins Returns funciona melhor se nunca tiverem visto o original. Irá certamente resultar para algumas pessoas, mas irá deixar muitos com vontade de rever Julie Andrews como a babysitter que todos gostaríamos de ter.


por Sara Ló