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Pedro e Inês(2018)

Há 5 meses | Drama |

de António Ferreira, com Diogo Amaral, Joana de Verona, Vera Kolodzig, João Lagarto, Custódia Gallego e Cristóvão Campos


A história de Portugal está repleta de feitos, mitos e lendas. Um legado invejável que não deve ser esquecido com o passar do tempo. Há caráter por trás dos enredos, sentimentos aumentados por trás das emoções. Na literatura, há até uma tendência nata para o dramático, para o trágico. Características que o realizador, argumentista e editor António Ferreira pretende salientar no cinema com Pedro e Inês, uma história de amor condenada pela amargura do destino.

Adaptado do romance A Trança de Inês, da autora Rosa Lobato de Faria, o filme tem lugar em três realidades alternativas. Na idade média, onde a história original teve lugar, no presente, onde Pedro (Diogo Amaral) e Inês (Joana de Verona) são arquitetos bem-sucedidos, e num futuro distópico, no qual um grupo de pessoas abandonou a cidade para viver tranquilamente numa floresta.

As três realidades, separadas pelo espaço e pelo tempo, são o reflexo da imaginação perturbada de Pedro, que narra a história num tom poético a partir de um hospício. "Não tenho passado nem futuro, só tenho presente, e penso que essa é a minha doença", refere o próprio num dos seus frágeis pensamentos melancólicos.

O paralelismo dos eventos em diferentes dimensões remonta para a inevitabilidade do seu fatídico desfecho. A repetição podia levar à redundância e ao desgaste, mas a diversidade e compromisso na distinção da estética das várias vidas de Pedro dinamiza os planos e, por conseguinte, o filme. Contudo, as sequências que ocorrem no futuro carecem do charme e sentido de ritmo que as restantes linhas temporais apresentam, abrandando o ímpeto pretendido.

Apesar do título, o filme pertence fundamentalmente a Pedro, reduzindo Inês a um símbolo arrebatador de beleza, paixão e perdição. No entanto, Diogo Amaral e Joana de Verona estão bastante empenhados nos seus papéis, confiando-nos o seu amor com olhares penetrantes. Em seu redor estão atores como Vera Kolodzig, João Lagarto, Custódia Gallego e Cristóvão Campos, que nos seus papéis secundários não falham em deixar uma boa impressão.

A suportar as interpretações está um trabalho de câmara confiante por parte do diretor de fotografia Paulo Castilho. Utiliza zooms in com frequência, principalmente para unir os protagonistas à medida que o interesse um pelo outro floresce. No entanto, não se priva de percorrer lentamente o cenário com movimentos livres, gerando a energia necessária para prender o olhar.

Em 2010, António Ferreira apresentou algumas ideias interessantes no filme Embargo, mas Pedro e Inês é uma evolução notória. É um projeto maduro, complexo e que toma algumas liberdades históricas para criar uma narrativa que adquire contornos aterrorizadores. Uma tragédia portuguesa que dá gosto ver imortalizada pela arte das imagens em movimento.


Bernardo Freire
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