Ladrões de Tuta e Meia é uma comédia com pés e cabeça que te vai fazer passar um bom momento no cinema.

Ladrões de Tuta e Meia é uma comédia com pés e cabeça que te vai fazer passar um bom momento no cinema.

2019
Comédia
de Hugo Diogo, com Rui Unas, Leonor Seixas, Carlos Areia, Melânia Gomes e Cândido Mota


Ladrões de Tuta e Meia trata-se de mais uma comédia portuguesa, desta vez, da autoria de Hugo Diogo. Ao estilo de Bonnie e Clyde (1967) chega-nos esta versão portuguesa do famoso casal de ladrões que rouba para viver. 

Depois de vários golpes concluídos, João (Rui Unas) e Christiane (Leonor Seixas), continuam a precisar de mais dinheiro para financiar o seu casamento. Quando leem no jornal que Amílcar (Carlos Areia), um velho viúvo acaba de ganhar o Euromilhões, decidem fingir que João é seu filho para ficar com toda a herança. 

Em jogo estão 190 milhões de euros e eles não são os únicos a tentar meter as mãos nos bolsos do sortudo. Quando chegam a casa de Amílcar percebem que a sua afilhada Jéssica J. (Melânia Gomes), ex-concorrente de um reality show, também já está de olho no dinheiro. Inicia-se uma batalha para ver quem consegue manipular melhor e cair nas graças do milionário.

A narrativa está bastante bem construída e tem aspetos cómicos que fazem rir. Há de facto uma lógica com sentido que percorre todo a longa-metragem, deixando-nos sempre curiosos e ansiosos pelo desfecho. 

O elenco não é reduzido, mas ao menos não tentou inserir papéis que não acrescentam nada ao filme, como aconteceu com Portugal Não Está à Venda (2019). Rui Unas e Leonor Seixas estão incríveis, assim como Carlos Areia. No entanto, foi a personagem de Melânia que me fez rir mais, talvez por imitar e ser o puro estereótipo de muitas jovens que só querem saber da sua imagem e popularidade. 

Outro fator interessante no filme é a crítica que é feita diretamente à falta de orçamento para o cinema em Portugal. Há pelo menos dois momentos cómicos em que essa referência é notória, uma em diálogo e outra, mostrando como a produção conseguiu realizar o filme numa cena. E deixem-me que vos diga, para fazer parecer que um carro está em movimento é preciso muita gente!

O filme também procura ser interativo. Temos, desde o início, um narrador (Cândido Mota) que vamos ser sinceros, serviu sobretudo para simplificar a exposição da história. É ele que nos introduz rapidamente às personagens e tece alguns comentários. Claro que isto quebra algo fundamental no filme – deixamos de estar tão absorvidos na história e relembramo-nos de que estamos perante um produto cinematográfico. Além disso, o narrador tenta fazer algumas piadas, a meu ver, sem sucesso. A sua participação poderia ter sido reduzida.

Ao nível da edição e da fotografia o filme está satisfatório. Também a banda sonora é agradável, mas não decisiva para a história. 

Ladrões de Tuta e Meia é uma comédia com pés e cabeça que te vai fazer passar um bom momento no cinema. Não é inovador, mas conta uma história simples, engraçada e bem organizada com uma lógica fechada. Afinal, é importante valorizarmos o cinema nacional, sobretudo se forem filmes como este que se esforçam para entregar o melhor resultado possível ao público.


por Rafaela Teixeira