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Killing Eve - 1ª Temporada(2018)

Há 2 meses | Drama, Thriller |

de Phoebe Waller-Bridge, com Sandra Oh, Jodie Comer, Fiona Shaw e Owen McDonnell


A primeira temporada de Killing Eve chegou em 2018 e, apesar de parecer não ter dado muito nas vistas no início, não demorou, para de episódio a episódio, se tornar no grande vício de muitos amantes de séries. O meu vicío é recente. Contudo, devo dizer que vi as duas temporadas disponíveis em dois dias... É assim, a pessoa apanha-se de férias com conteúdo de qualidade e vê tudo madrugada adentro sem dar conta.

Afinal, o que é  tão viciante nesta série? A resposta é simples. Talento feminino e fuga de padrões. A criadora, Phoebe Waller-Bridge, baseou a série nos livros “Codename Villanelle” de Luke Jennings e chamou para o elenco duas ótimas atrizes. Sandra Oh (Grey’s Anatomy – 2005 ) interpreta Eve Polastri, uma investigadora do M15 (Serviço de Segurança britânico) e Jodie Comer encarna Villanelle/ Oksana Astankova, uma assassina russa psicopata.  

Quando se dá uma vaga de assassinatos Eve é posta à prova no seu trabalho. Desde o começo que suspeita de ser obra de uma mulher, apesar de muitos considerarem que pela violência evidenciada dos crimes, se trata dum homem. O argumento deixa isto bem claro, vincando desde logo aquilo que geralmente são as expectativas (erradas) da sociedade. Durante a sua investigação fica obcecada pela assassina. O mesmo acontece do lado oposto. Villanelle ao perceber quase o fascínio que Eve demonstra por ela, começa a fazer um certo tease que nos leva a perceber mais tarde, nos momentos em que se encontram, que existe ali uma sinistra tensão sexual.

Assistimos, então, nesta primeira temporada, a uma perseguição do gato ao rato com uma banda sonora irónica (tal como Villanelle) e algumas vezes esquecemos quem está a perseguir quem. Existe um flert macabro quase como se tivessem uma relação à distância e nós temos a sorte de observar ambas as perspetivas.

A série entrega muito bem, desde logo, o psicológico de cada protagonista e a forma como vai evoluindo. Tanto Villanelle é imprevisível e completamente sádica (por ser psicopata), como da mesma forma vemos que a própria Eve, aparentemente “normal”, tem um lado sombrio escondido. São o suspense, a surpresa, e a vontade estranha que temos de torcer por ambas que tornam a série tão viciante e boa de se assistir. O ritmo ajuda bastante e entrega sempre algo que nos prende à cadeira para mais um episódio.

A premissa da narrativa pode não ser original, pois, já conhecemos várias obras que tratam de investigação de crimes. Porém, a novidade aqui está precisamente em termos mulheres nos papéis principais e não o tradicional detetive e assassino. Além deste ponto positivo, as atrizes funcionam muito bem nos seus papéis. A meu ver, quem se destaca é, sem dúvida, Jodie Comer. Ela encarna o papel de uma forma tão peculiar e realista que parece que nem estamos a ver alguém a representar. A sua personagem é realmente o trunfo da série, pois, balança entre o charme e o horror constantemente e rapidamente.

Porém, Sandra Oh também tem o seu mérito. É uma grande atriz – vejam-me esta mulher em cenas de pânico! Quase que ficamos tão aflitos quanto ela, embora sabendo que o que estamos a ver não é real. Por isso não é de admirar que a atriz esteja nomeada pela sexta vez para os Emmys devido à sua incrível interpretação na série, tornando-se na primeira nomeação de sempre de uma atriz de descendência asiática numa categoria de protagonista numa séria dramática. Além disso, Sandra Oh, este ano já levou para casa dois prémios por Killing Eve – um Critics Choice Award por melhor atriz em série dramática e um Golden Globe por melhor atuação em série dramática.

Os diálogos são também bastante bons e é ótimo quando a série se permite a não ser apenas de thriller, mas envereda tão bem entre o drama e a comédia negra – na maior parte das vezes entregue por Villanelle que vive a vida de forma inconsequente e adora sentir o quanto instável a vida é – um dia estamos vivos e no outro não. O seu gosto pela morte vai crescendo a cada vítima. Ela diverte-se a tirar vidas e ainda tem o plus de ganhar dinheiro com isso.

A primeira temporada tem apenas oito episódios e termina com um cliffhanger de deixar a boa aberta a pedir mais. Nada como uns plot twists que nos deixem a pensar para aumentar o suspense não é mesmo?

Killing Eve é viciante do primeiro ao último segundo. Tem um pouco de tudo: humor negro, sangue e violência equilibrados com duas atrizes geniais. É empolgante, feminista, crua e inteligente. 


Rafaela Teixeira
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