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Judy(2019)

Há 30 dias | Biografia, Drama, Romance, | 1h58min

De Rupert Goold, com Renée Zellweger, Finn Wittrock, Rufus Sewell, Jessie Buckley e John Dagleish


São vários os filmes que contam a história da vida de uma personalidade do mundo do cinema, e das consequências que o seu sucesso lhes trouxe.  Judy é um filme que retrata uma vida semelhante a essa, a vida de Judy Garland, a eterna menina do Wizard of Oz (1939). O filme, realizado por Rupert Goold e exibido em 2019, vê já a sua protagonista vencedora de diversos prémios e nomeada, atualmente, para um Óscar.

Antes de mais, Judy Garland viveu entre os anos 20 e 60, pelo que o público jovem pode não estar tão familiarizado com ela. O filme não dá grande contexto sobre o trabalho da artista e porquê tanta fama, o que incentiva a pesquisa. Mesmo que o filme Wizard of Oz seja muito conhecido, a sua narrativa já fora reinventada vezes sem conta, assim como o tema Somewhere Over The Rainbow, o que não faz saltar desde logo o nome de Judy Garland na cabeça de muitos.    

Judy foi uma pessoa que em toda a sua vida foi explorada por Hollywood, sendo obrigada a ter certas dietas e a dedicar-se ao máximo à sua carreira ainda muito nova, o que a prejudicou bastante a nível pessoal. A obra cinematográfica em questão, mostra isso mesmo, e escolhe um ponto da sua vida mais decadente, que vai sendo acompanhado por flashbacks à sua infância e adolescência ao longo do filme.

A trama inicia-se com uma lembrança de Judy (Renée Zellweger) na sua adolescência na rodagem de um filme, falando com o produtor que a conseguia manipular, intimidando-a e fazendo-a crer que tinha muita sorte. Depois temos um salto para uns belos anos depois, onde Judy já não é o sucesso que era, já tinha tido quatro maridos, e, com pouco trabalho começa a faltar-lhe dinheiro. Face a isto, e confrontada pelo seu marido quanto à qualidade de vida que poderá dar aos seus filhos, Judy embarca numa viagem para Londres, onde tem imensos fãs, com a intenção de realizar vários espetáculos, num período que será conturbado para a atriz.

A escolha do momento da sua vida a retratar foi inteligente, sendo uma fase de decadência em que Judy vê-se obrigada a estar longe da sua família para estabilizar as suas finanças. Isto acaba por mexer com o seu estado emocional, e, por este facto, esta época é uma oportunidade para mostrar o sofrimento em que a artista vivia, acompanhado das lembranças da sua infância. Todavia é importante referir que Judy é uma vítima da indústria cinematográfica da época, porém não é retratada como uma santa, mostrando que tinha uma personalidade difícil, mas em consequência do seu passado.

Renée Zellweger, a atriz mais conhecida pelo filme Bridget Jones's Diary (2001), está irreconhecível no filme, vestindo totalmente o papel de Judy Garland. A transformação da atriz é de facto total, não só a nível de aparência, mas também a nível de movimentos e expressões, mostrando a dedicação que teve com o papel. O filme, como é óbvio, gira em torno da protagonista, e Renée prende o público ao ecrã e toma realmente conta da obra. Nos espetáculos que proporcionam momentos musicais ao filme, Renée ressuscita Judy e exibe a sua bela voz, que tinha já sido mostrada no filme Chicago (2002).

O filme acaba por se complementar com a boa representação da época, nos diversos cenários, guarda-roupa, hábitos e ideias. A performance de Judy com a conjugação das luzes, banda e dançarinas trazem memórias da época. Até dá vontade de rever um clássico da época.

Judy revela-se assim um filme que mostra o lado mais humano da artista, uma vida controlada pela fama e pelo espetáculo e uma mulher que procura controlo sobre a sua vida e amor por quem realmente é, e não amor que todos têm por Judy Garland, a artista. Admito ainda que o filme torna-se emocionante, ao ver uma vida completamente desfeita por uma indústria que é suposto fazer arte, entreter, refletir, a indústria cinematográfica. 


Rafaela Boita
Outros críticos:
 Bernardo Freire:   6
 Alexandre Costa:   6