Inscreve-te e tem vantagens!

Jojo Rabbit(2019)

Há um mês | Comédia, Drama, Guerra, | 1h48min

de Taika Waititi, com Roman Griffin Davis, Thomasin McKenzie, Scarlett Johansson, Taika Waititi e Sam Rockwell


Devo começar por dizer que tinha expetativas sobre Jojo Rabbit. Não as consigo classificar em quantidade, mas sei que esperava algo da mais recente obra de Taika Waititi. E não foi de todo o que esperava…

Durante a II Guerra Mundial, conhecemos Johannes Betzler (Roman Griffin Davis), mais conhecido apenas por Jojo, um pequeno rapaz de 10 anos que é, entre muitas outras crianças, colocado em formação pelo exército do Führer para ajudar na guerra. Sob os ensinamentos do Capitão Klezendorf (Sam Rockwell) e da Fraulein Rahm (Rebel Wilson), os pequenos rapazes são ensinados a matar, a explodir coisas e a não sentir dor, enquanto as pequenas raparigas são ensinadas a fazer curativos e… a engravidar. Sim, isto é literalmente uma frase que se pode ouvir em Jojo Rabbit.

Jojo está decidido em ser um guarda-costas pessoal de Adolf Hitler (Taika Waititi) – com quem fala na sua imaginação –, acreditando facilmente sobre tudo o que ouve sobre os judeus e sobre a guerra. O grande problema que nos vai entregar uma história (no mínimo) bizarra? Jojo descobre que a sua mãe, Rosie (Scarlett Johansson), esconde uma rapariga judia, Elsa (Thomasin McKenzie), nas paredes da sua casa.

E é este o gatilho para uma história que nos vai, de facto, fazer rir nos momentos mais inadequados e que promete tentar fazer-nos chorar. É um misto de sensações que, realmente, resulta em Jojo Rabbit.

O filme abre com uma sequência espetacular, ao som de uma versão alternativa de I Want Hold Your Hand, dos eternos The Beatles, que é das melhores coisinhas que vi este ano. Jojo Rabbit capitaliza no facto de saber que o seu tema é pesado e histórico e apresenta-o de uma forma divertida, cómica e bizarra.

Taika Waititi, o homem por trás da reinvenção do Deus do Martelo, em Thor: Ragnarok (2017), mostra-se sem, desculpem a expressão, vergonha nenhuma na cara e usa e abusa de uma história que fala sobre guerra e nazis. Difícil não será encontrar mentes fechadas que se vão chocar com a forma como Waititi brinca ao longo do filme. É um dos grandes nomes do momento, no mundo cinema, e volta a provar que é muito bom naquilo que faz. Uma realização tremendamente rítmica, bem orientada e capaz de retirar o melhor do seu belo elenco.

Elenco esse que é liderado por Davis, um miúdo que, quer acreditem quer não, estreia-se no cinema precisamente nesta obra. Tem uma interpretação muito interessante e não se deixa intimidar por partilhar o ecrã com Scarlett Johansson – que já este ano esteve espetacular em Marriage Story e tem o seu legado em Avengers: Endgame –, Sam Rockwell (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (2017), Vice (2018), ou até Thomasin McKenzie.

O filme não é perfeito e tem momentos que poderiam ter sido encurtados ou retirados, mas é de fácil visualização porque tem qualidade, e muita. O único pormenor que realmente me fez coçar a cabeça foi o facto de estarmos na Alemanha, com personagens alemãs, que escrevem e leem em alemão, mas que falam em inglês…com o sotaque germânico metido pelo meio.

Não há dúvidas sobre Jojo Rabbit: vai agradar os que derem uma oportunidade real e vai chocar as mentes mais fechadas. É, no entanto, para mim, um filme muito agradável que prova a qualidade de todos os envolvidos, sobretudo Waititi.

Portanto, não… Jojo Rabbit não é de todo o que eu esperava, mas é claramente algo que eu precisava que existisse.


Pedro Horta
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   7
 Rafael Félix:   7
 Bernardo Freire:   7