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Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2(2011)

Há um ano | Aventura, Fantasia, | 2h10min

de David Yates, com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Helena Bonham Carter, Matthew Lewis e Michael Gambon


Chegamos ao grande final. Após 10 anos de existência nas telas de cinema em todo o mundo, termina em 2011 a aventura de Harry Potter – com Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2.

Foi necessário dividir o último filme em duas partes para o realizador David Yates conseguir alcançar o seu objetivo – terminar uma das maiores sagas da história do cinema – sem estragar o último livro da obra de J.K. Rowling, arruinar a conclusão de 8 filmes e não desiludir milhões de fãs. Yates conseguiu o seu objetivo?

Antes de mais, o que nos conta o capítulo final?

Harry (Daniel Radcliffe), Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) continuam a missão iniciada em Deathly Hallows: Part 1. Encontrar e destruir todas as horcruxes, a fim de matar Lord Voldemort (Ralph Fiennes). A missão leva o trio de volta a Hogwarts, o que conduz Voldemort atacar a escola com todas as suas forças e tropas. A batalha final começou. Um único sobreviverá. O bem ou o mal.

O filme tem de ser explicativo e responder a todas as perguntas que foram deixadas ao longo das sete longas-metragens anteriores.

Contém um ritmo frenético. É o primeiro grande blockbuster da saga. Mais de metade decorre durante a batalha final em Hogwarts. Todas as cenas de ação são verdadeiramente grandiosas. Desde a fuga de Gringotts montados num dragão, à luta física e psicológica entre Harry e Voldemort. A única coisa que se sobrepõe à ação é a tensão das cenas.

A realização de Yates é potente, dinâmica e rítmica. O realizador permite-se brincar com a câmara através de movimentos fluidos e quase voadores. A câmara passa entre paredes, voa, e segue os personagens no campo de batalha. Os planos estão concebidos como um verdadeiro filme de ação.

O que menos gostei foi de ter tido potencial de se tornar uma obra de arte, e não o fez. Podia ter sido grandioso – se não tivesse diversas lacunas. Foi um erro muito grande ter morto praticamente todas as personagens importantes fora de campo, ou seja, não vemos as mortes decorrerem. Só as descobrimos quando Harry as descobre. É um poder e impacto emocional a menos. Outro ponto negativo é a conclusão da longa-metragem, é demasiada rápida, não respira o suficiente, não nos deixa saborear a despedida do universo. É pena.

Apesar desses defeitos, o capítulo final da saga é um sucesso. Harry Potter é o exemplo perfeito de uma saga muito bem adaptada no cinema, que permanece, ainda hoje, a única que justificou plenamente a sua divisão em duas partes (ups, Twilight (2008-2012), Hunger Games (2012-2015) e companhia).

A banda sonora é perfeita. Alexandre Desplat – o autor da primeira parte, compõe uma música calma, delicada e melancólica que acompanha cenas graves de ação, guerra e de morte. Optou por fazer uma oposição entre sonoplastia e ação decorrida na tela que funcionou maravilhosamente. Sentimos a profunda tristeza que passa pela mente dos protagonistas. A tristeza da destruição da escola, da magia, do mundo maravilhoso que era Hogwarts. Brilhante. Convido-vos a ouvir Courtyard Apocalypse. Desplat também foi inteligente em reciclar temas e a banda sonora do primeiro filme da saga. A nostalgia faz o seu efeito.

Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 prepara-nos para não voltar a ver Hogwarts, Harry, Ron, Hermione de maneira real. A despedida dos atores é repleta de emoção. Os protagonistas cresceram, e nós, audiência, crescemos com eles. Daniel Radcliffe, Alan Rickman, Ralph Fiennes e Michael Gambon são novamente convincentes. Garanto-vos que é impossível não lacrimejar numa cena fundamental do filme que revela-se na maior reviravolta da saga. Mais não digo, caso desconheçam.

Harry Potter é uma saga que nos ensina diversos valores morais, desde o amor, a vida, a amizade, passando pela morte, tristeza e solidão. É uma saga que ficará na história do cinema, juntamente com outros grandes nomes. Obrigado J.K. Rowling, pelo teu universo rico em magia e à Warner Bros pela aventura cinematográfica durante 10 anos. After all this time? Always.


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Rafael Félix:   8
 Pedro Quintão:   8
 Margarida Nabais:   8