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Gemini Man(2019)

Há um mês | Ação, Drama, Sci-Fi, | 1h57min

de Ang Lee, com Will Smith, Mary Elizabeth Winstead, Benedict Wong e Clive Owen


O projeto que andou a marinar durante mais de 20 anos e que passou pelas mãos de toda a gente e das suas avós, chegando a envolver pessoas como Harrison Ford, Sean Connery ou Curtis Hanson, consegue finalmente ver a luz do dia pela mão de Ang Lee (Life of Pi (2012) – Hulk (2003)) e protagonizado pela estrela cadente que é Will Smith e a sua carreira na última década.

Henry Brogan (Will Smith) é um hitman a mando do Estado prestes a reformar-se. Quando o seu suposto último alvo revela ser algo que não é, Henry é marcado como renegado e torna-se um alvo do governo americano. A única coisa que o pode parar? Ele mesmo. Um clone produzido pela Gemini, uma empresa clandestina que “brinca” com ADN na procura do soldado perfeito, será a última esperança para travar Brogan e impedir a exposição destas experiências.

E porque é que Gemini Man, que começou a sua produção ainda antes do último campeonato nacional do Sporting, só agora, num mundo em que uma boa parte das pessoas que já tiveram envolvidas com o filme está morta, reformada ou esquecida (ou todas juntas), procedeu a arrastar-se fora do poço que é o production hell?

Ora aí está uma excelente pergunta! Porque eu não consigo arranjar uma única razão.

É que, além da opção de filmar a 120 frames por segundo (por norma os filmes são projetados em 24 fps), não há absolutamente nada neste filme que não seja a total definição de genérico.

Atentem à sinopse. Herói a querer reformar-se. Entidade patronal insatisfeita com dita reforma, procede à exterminação do futuro pensionista. Experiências com ADN. Um indivíduo que claramente não foi acarinhado em criança procura o soldado perfeito.

Temos ainda algumas viagens pelo mundo para dar a ideia que isto é uma aventura global, mas na verdade tem a mesma dimensão e impacto que teria um jogo de matrecos entre bêbados num bar em Vila Franca de Xira. Diálogos que já ouvimos tantas vezes em filmes como ouvimos as nossas mães berrar “NÃO É JÁ VOU, É JÁ”, quando nos chamavam para jantar. Efeitos visuais que vão desde o campo do “fantástico” até ao nível “Benfica na Champions” num espaço de segundos.

Gemini Man acha que está a fazer uma desconstrução do homem e cenas profundas e tal, mas na verdade não passa de mais um filme de ação igual a 475144 outros e que ocuparam duas horas da minha vida que eu nunca mais vou ter de volta.

A história dos 120fps é discutível, se é o futuro, o que talvez seja, eu prefiro o meu presente, porque a fluidez absurda da imagem faz-me sentir que estou a jogar The Last of Us e não a ver mais um filme em que Will Smith tenta demasiado para não conseguir grande coisa. É uma questão difícil de julgar esta dos frames, e pode muito bem ser algo que pode ser ultrapassado com o tempo e com o hábito, mas por agora mantenho-me cético, até porque tornou algumas sequências de ação, que podem até bem ser o highlight do filme, um tanto antinaturais. Como disse, coisa difícil de falar.

Genérico, chato, cringe a espaços e nada acrescentou à minha vida. Sentei-me na sala. Passaram umas imagens que eu já tinha visto antes. Fui-me embora. Se me vou esquecer do filme? Difícil, já há tantos e tantos iguais a ele que é inevitável já não os saber de cor.


Rafael Félix
Outros críticos:
 Rafaela Teixeira:   4