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Abominable(2019)

Há 2 meses | Animação, Comédia, Aventura, | 1h32min

De Jill Culton e Todd Wilderman, com Chloe Bennet, Albert Tsai, Tenzing Norgay Trainor, Sarah Paulson e Eddie Izzard


Abominable fez história este ano como o primeiro filme animado com uma protagonista, realizadora e argumentista feminina. Coincidentemente, é uma coprodução internacional entre a DreamWorks e Pearl Studio, baseado em Xangai.

O cenário é uma cidade moderna chinesa, onde a adolescente Yi (Chloe Bennet) vive com a mãe e a avó. A lidar com a morte do pai, que inspirou a sua paixão por tocar violino, tenta arranjar dinheiro com mil trabalhinhos diferentes para ir viajar. Um dia, encontra um bebé Yeti que fugiu de um laboratório e foi parar ao seu telhado. Assim começa a aventura de Yi que, com a ajuda do primo mais novo Peng (Albert Tsai) e de Jin (Tenzing Norgay Trainor), tenta levar o Yeti a casa ao mesmo tempo que escapa de quem o quer apanhar.

Achei interessante o intercâmbio cultural, que fez tanta diferença. Vários aspetos da cultura chinesa ilustrados tiveram de ser aprovados, de modo a serem o mais fiéis possível. Apesar de achar que poderia ter sido ainda mais explorado, este acabou por ser dos elementos mais fortes da obra, uma vez que este tipo de representação é importante.

Outro ponto positivo é a protagonista. Forte e determinada, felizmente pouparam-na de um romance forçado com Jin, que teria sido demasiado previsível. Também o Yeti, com a alcunha de Evereste, é uma bola de fofura e a sua dinâmica com Peng para mim é ainda melhor que a com Yi.

No que toca à animação em si, não sou muito fã deste género tão claramente computorizado. Contudo, consegue ter algumas cenas específicas mesmo bonitas ligadas à natureza e é aí que se destaca, mesmo que certas escolhas musicais estraguem o efeito total.

Isto porque, no que toca à banda sonora, o som do violino que a protagonista toca é uma lufada de ar fresco. No entanto, quando não são essas as músicas, há a tendência de reverter a clichés como o “Fix You” dos Coldplay, que pode fazer sentido num nível, mas noutro ser uma escolha demasiado fácil.

E é esta a minha maior crítica. As escolhas narrativas retraem por vezes ao demasiado fácil, no geral jogando pelo seguro. É uma falha que se confunde com a falta de personalidade e originalidade, já que não há aquele fator X que verdadeiramente distingue a obra de tantas outras.

Mas claro que nem todos os filmes têm de ser obras-primas e podem ser simplesmente divertidos. É o caso de Abominable. Não há muito a dizer a não ser que é inquestionavelmente adorável e embora não marque necessariamente o espetador, garante uma hora e meia de diversão para a família toda.


Margarida Nabais
Outros críticos:
 Bernardo Freire:   6