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Game of Thrones(2011-2019)

Há 9 meses | Ação, Aventura, Drama |

de David Benioff e D.B. Weiss, com Emilia Clarke, Peter Dinklage, Kit Harington, Lena Headey, Sophie Turner, Maisie Williams e Nikolaj Coster-Waldau


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Adaptar o trabalho de George R.R. Martin não era tarefa fácil. Com todos os seus personagens, locais, enredos, batalhas e lutas pelo trono, a HBO não podia falhar na pérola que tinha entre as mãos. Os criadores David Benioff e D.B. Weiss, também argumentistas de cada episódio (algo raro no mundo da televisão), conseguiram transformar Game of Thrones em mais do que uma série, num verdadeiro fenómeno cultural. Elaborar uma crítica a esta série é como prever quem vai morrer, é complicado, por isso, vou tentar dar o meu melhor.

Game of Thrones é sem dúvida a maior série de todos os tempos, pelo menos, como impacto (atenção, não estou a dizer que é a melhor). Quebra recordes por todo o lado onde passa: desde as suas consagrações e nomeações (129 nos Emmys), a recordes de popularidade nas redes sociais, onde obtém os maiores números de tweets.

Mas o que é esta série?

É uma saga que retrata um mundo remanescente da Europa medieval, na qual a magia e a fantasia predominam. É uma luta política para alcançar o poder e governar os 7 Reinos através da posse do The Iron Thron (o Trono de Ferro). As Casas Stark, Baratheon, Lannister, Tyrrel, Martell, Bolton, Clegane Greyjoy, Arryn e Tully estão envolvidas. Paralelamente, os últimos descendentes da Casa Targaryen – família que governou os Sete Reinos durante séculos e rejeitados por desastres passados, tentam aliar-se ao exército Dothraki, liderado por Khal Drogo (Jason Momoa) para recuperar o poder.

A grande força de GoT é propor personagens complexas e torturadas que possuem um enredo digno dos melhores de sempre deste género. Existe de tudo: protagonistas fortes e corajosos; antagonistas torturados e psicopatas; assim como jovens que não hesitam em usar a mentira para sobreviverem. Não se pode confiar, nem sentir uma empatia louca por ninguém – pois, o senhor Martin gosta de matar as suas personagens quando menos o esperamos.

O elenco é espetacular. Como não sentir empatia pela Emilia Clarke no papel de Daenerys Targaryen? Ou o Kit Harrington como o nobre Jon Snow? A evolução de acting da Maise Williams (Arya Stark) e de Sophie Turner (Sansa Stark) consoante as temporadas é de louvar. Não vos vou mentir, para mim os melhores atores / estrelas desta série são Peter Dinklage (Tyrion Lannister) num papel muito a la Jack Sparrow, conversador, manipulador, sarcástico e sempre com um passo à frente dos outros; Nikolaj Coster-Waldu (Jaime Lannister) que passa de desagradável a carismático com o avançar dos episódios e Lena Headey (Cersei Lannister) uma das antagonistas mais complexas e torturadas da série. 

Os argumentistas entregam um trabalho colossal para nunca nos perdermos nos diferentes enredos. Têm como resultado uma série densa em subtextos que requer uma atenção do espetador nos seus diálogos ricos em reviravoltas.

Game of Thrones soube alcançar uma massa de fãs através os seus vários temas apresentados: política, sexo (sim, há muito), violência, batalhas épicas (jamais igualadas em toda a história da televisão) e corrupção no poder. Os décors são magníficos, o guarda-roupa digno deste universo e os efeitos visuais excelentes. A realização dos episódios de batalhas (como Blackwater, The Watchers on the Wall, Battle of the Bastards, The Spoils of War, Beyond the Wall, The Long Night e The Bells) é de ficar entusiasmado. A mestria dos planos, as coreografias, as performances e a tensão são dignas de cinema. GoT é um grande momento da 7ª Arte. É importante também realçar o trabalho de Ramin Djawadi na banda sonora, que é das melhores de todos os formatos confundidos.

Não é perfeita. Faço parte das pessoas que acha o final bastante inferior ao restante da série. As duas últimas temporadas são demasiadas curtas, os enredos vão mais rápidos que os dragões da Daenerys e há algumas facilidades no argumento. Não julgo que o final seja incoerente com o desenvolvimento narrativo das personagens, nem que seja péssimo (como tenho visto aí). É apenas inferior e curto, deixando um sentimento de inacabado. Merecíamos mais e melhor.

Mas há que ver que Game of Thrones existe desde 2011 (como série) e tem sido uma nova referência na pop culture, junto às sagas Star Wars (1977-), Marvel Cinematic Universe (2008-), The Lord of the Rings (2001-2003), ou Harry Potter (2001-2011). Game of Thrones é um marco fantástico na história da televisão. Lembrem-se disso e de tudo o que contribuiu. 


Alexandre Costa
Outros críticos:
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 Raquel Lopes:   8
 Pedro Quintão:   8