Foi uma boa surpresa do terror neste começo de ano de 2019. O plot twist final vai deixar qualquer um colado à cadeira do cinema.

Foi uma boa surpresa do terror neste começo de ano de 2019. O plot twist final vai deixar qualquer um colado à cadeira do cinema.

2019
Horror, Thriller
de Nicholas McCarthy, com Jackson Robert Scott, Taylor Schilling, Peter Mooney, Colm Feore e Paul Fauteux


Nicholas McCarthy (The Pact – 2012, Holidays – 2016) regressou, este ano, com mais um filme de terror. The Prodigy é um filme original que conta com o argumento de Jeff Buhler.

Somos introduzidos logo na primeira cena a algo assustador. Uma mulher, cuja mão foi cortada, escapa de um assassino em série que acaba por ser morto no momento seguinte com vários tiros da polícia. Depois da sua queda, vemo-lo agarrado à mão que cortou da vítima e os vários tiros que levou no peito. Na mesma altura, em outro espaço nasce um rapaz, Miles (Jackson Robert Scott) com as mesmas marcas de sangue no peito - que bela transição que nos mostra logo que o realizador se preocupou com a forma de nos contar esta história.

Observamos o crescimento de Miles ao longo dos anos, até que tal como a sua mãe (Taylor Schilling), começamos a perceber que ele não é uma criança normal. Tem uma inteligência anormal para a sua idade e uma certa atração pela violência. Para perceber o comportamento e o que se passa com o Miles, a mãe procura ajuda médica. Descobre que o que se passa com ele é do domínio espiritual, da ordem da reencarnação.

Em termos de narrativa podemos dizer que existe uma certa facilidade em prever os acontecimentos, no entanto a forma como são mostrados acaba por compensar essa falha. A fotografia escura típica dos filmes de terror está presente, os jump scares que já são um cliché também, no entanto um ou dois funcionam neste filme.

McCarthy soube arriscar em vários aspetos do filme – ter uma criança como protagonista é um grande desafio que implica uma boa seleção do ator. E Jackson Robert Scott está sem dúvida de parabéns – é ele que segura todo o filme com o seu olhar maldoso, sorriso macabro e choro arrependido. No entanto, também Taylor Schilling (Orange is The New Black – 2013-), a mãe preocupada, e Colm Feore, o médico especialista que tenta ajudar Miles, enriqueceram o filme com ótimas atuações. Uma das melhores cenas do filme, a meu ver, passa-se exatamente numa das consultas de Miles.

Além disso, é impossível não notar na originalidade presente. Estamos habituados a ver filmes em que crianças são possuídas, basta olharmos para The Exorcist (1973), mas a grande diferença está no facto de não ser uma possessão demoníaca. O tema da reencarnação está associado à religião cristã, mas não me lembro de o ver abordado num filme de terror.

O ritmo e a banda sonora são satisfatórios. De modo geral, o filme surpreendeu pela positiva. Não será lembrado como um novo clássico do género, mas fez uma boa contribuição.

Embora eu tenha apreciado o começo da longa, penso que teria sido ainda mais interessante colocá-lo no meio do filme. Dessa forma a associação do assassino morto ao recém-nascido não seria tão imediata e, logo, a narrativa seria menos previsível.

The Prodigy marca pela diferença, por ser surpreendente. Foi uma boa surpresa do terror neste começo de ano de 2019. O plot twist final vai deixar qualquer um colado à cadeira do cinema. Será que teremos uma sequela? A meu ver não seria necessário. Teremos de esperar para ver. 


por Rafaela Teixeira