Fargo tem tudo o que gosto no cinema.

Fargo tem tudo o que gosto no cinema.

1996
Crime, Drama, Thriller | 1h38min
de Joel Coen e Ethan Coen, com William H. Macy, Frances McDormand, Steve Buscemi, Peter Stromare e Harve Presnell


Fargo é um clássico argumentado e realizado pelos irmãos Coen. Os irmãos Coen são duas figuras marcantes na cultura cinematográfica. Vou citar os principais prémios que ganharam ao longo destes anos, só para terem uma noção do quão são bons.

 

Em 1991, ganharam no Festival de Cannes le Palme d’or e Prix de la mise en scène com o filme Barton Fink. Em 1996 ganharam novamente no Festival de Cannes o Prix de la mise en scène com Fargo.  Em 1997 ganharam com Fargo o Óscar de melhor Argumento Original. Em 2001, le Prix de la mise en scène com The Barber. Em 2008, ganharam com No Country for Old Men os Óscares de: Melhor filme, Melhores Realizadores e Melhor Argumento Adaptado. Em 2013 ganharam le Grand Pix para Inside Llewyn Davis no Festival de Cannes. Entre outros prémios.

Da filmografia de Joel e Ethan Coen, aconselho também o clássico: The Big Lebowski (1996) e os filmes: O’Brother, Where Art Thou? (2000), The Man Who Wasn’t There (2001), True Grit (2010). E claro, os filmes que citei nas recompensas acima.

Voltando ao que é devido, Fargo. O que nos conta o filme?

Jerry Lundegaard (William H. Macy) um vendedor de carros em segunda mão, encontra-se cheio de dívidas. A fim de receber o resgate do seu rico sogro (Harve Presnell), ele tem um plano: contactar dois tipos “inofensivos” (Steve Buscemi e Peter Stromare) para raptarem a sua esposa. Infelizmente para Jerry, o plano não irá correr como previsto quando acidentes indesejados darão origem a uma investigação policial pela agente Marge Gunderson (Frances McDormand).


Fargo tem tudo o que gosto no cinema: diálogos muito bem escritos, humor negro, uma realização e fotografia impecável e  acima de tudo um excelente argumento.

O filme está realmente bem realizado, sentimos dor e empatia pela personagem de Jerry Lundegaard. O humor que o pesa torna-se quase desagradável, devido à sua falta total de inteligência e lucidez. William H. Macy é um grande ator (protagonista de uma série atual que adoro: Shameless (2011-)).

Carregando novamente no aspeto de falta de lucidez e inteligência, é mesmo o que mais gosto em Fargo - todas as personagens têm decisões impulsivas, reações desesperadas e inacreditáveis que lhes confrontam com situações geniais de se ver. É a grande força deste filme, dificultar tudo o que é simples, exagerar na realidade. Nós nunca iremos fazer o que estas personagens fazem. A única personagem sensata do filme é a agente Marge Gunderson. Frances McDormand, com este papel, arrecadou o Óscar de Melhor Atriz.

Fargo também levou a estatueta de Melhor Argumento Original. Foi nomeado nas categorias: Melhor filme, Melhor Realizador, Melhor Fotografia, Melhor Ator Secundário (por parte de William H. Macy) e Melhor Montagem.

É um filme bem narrado, as personagens são o que são, seres comuns que caem no “fundo do poço”, sem recursos e pouca imaginação. Acabamos com uma tragédia ridícula e despretensiosa entre cenas que descaem entre o absurdo e o atroz (a cena do estacionamento e da trituradora, vejam). Um filme de mais de hora e meia que passa a voar.

Fargo é um clássico do humor negro e do absurdo, é um grande filme.


por Alexandre Costa