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Miss Americana(2020)

Há 17 dias | Documentário, | 1h25min

De Lana Wilson com Taylor Swift, Andrea Swift e Scott Swift


Disclaimer: eu certamente não serei o público-alvo de Miss Americana. O que por si só é um problema, mas lá iremos.

Podem perguntar “Rafa, por que raio estás a ver um documentário da Taylor Swift às tantas da noite?”. É realmente uma pergunta perspicaz, caros amigos. Mas “curiosidade mórbida” é a resposta mais possível. O novo filme de Lana Wilson, realizadora que já teve os seus trabalhos em Tribeca ou nos Spirit Awards, despertou-me a atenção com todos os zum-zuns que saíram do Festival de Sundance, o evento mais relevante do cinema indie. Portanto um documentário sobre a maior estrela pop da atualidade ter sucesso num festival que celebra a criatividade, é, no mínimo, digno de alguma atenção.

Miss Americana basicamente faz um resumo da carreira de Taylor Swift, com acesso a filmagens durante o processo criativo dos álbuns, dos backstages das tours e foca-se no seu crescimento pessoal ao longo dos anos, até há atualidade, quando finalmente se tornou politicamente ativa.

Será sempre complicado para mim separar o próprio documentário, da minha opinião pessoal sobre a artista em si, mas há quase uma poesia em tudo isto quando Miss Americana confirma todas as razões pelas quais eu não gosto da indústria de música pop, quanto mais do seu maior símbolo dos últimos anos.

O filme praticamente abre com a reação de Taylor ao facto de não ter sido nomeada para nenhum Grammy, e essa mesma reação espelha todo este mundo. Os álbuns não são feitos com uma visão ou como uma forma de expressão artística. São produtos que são montados, tais como a carreiras dos próprios interpretes, para vender, e nada mais do que isso.

Há todo um cinismo por detrás do documentário, que se torna basicamente mais uma peça de propaganda para o produto que é Taylor Swift. Existem algumas tentativas de mostrar vulnerabilidade que falham miseravelmente pelo quão falsas e ensaiadas parecem, e quando assim não são parecem pouco mais do que ocas.

Na verdade, toda aquela atitude de viver pela aprovação e para agradar aos outros, para mim, é exatamente aquilo que devia prevenir as pessoas de fazerem música, filmes, quadros, o que seja. Porque a expressão pessoal vai-se perder no processo e no fim, ficamos exatamente com aquilo que é Miss Americana: um produto. Um anúncio publicitário de hora e meia. O filme tenta ir contra isto, quase passando como uma jornada para descobrir o amor-próprio, mas lá está, ainda tresanda a corporativismo e técnica de venda.

E é por isso que eu não consegui suportar o filme. Pareceu-me falso, oco, superficial, com uma pitada de vitimização e pouca ou nenhuma identidade artística. É algo feito para os fãs, mas se o documentário não se sustenta a ele próprio se já não se gostar anteriormente do tema central, então pouco sobra.

Mas lá está, os fãs vão adorar, e é isso que interessa. E ainda bem.


Rafael Félix
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