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Zombieland: Double Tap(2019)

Há 22 dias | Animação, Comédia, Terror, | 1h39min

de Ruben Fleischer, com Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Abigail Breslin e Emma Stone


É inevitável não iniciar a crítica sem enfatizar o meu cansaço por zombies. Gostei de obras como Dawn of the Dead (2004) ou Dead Snow (2009), contudo sinto-me farto de produções que contenham estas criaturas, talvez isso se deva à banalização consequente do sucesso do fenómeno televisivo The Walking Dead (2010-). Este descontentamento da minha parte fez com que apesar de ter gostado de Zombieland (2009), nunca mais o revesse e nem nutrisse interesse nesta sequela. Porém, arrisquei e assisti a Double Tap no cinema. Será que me arrependi?

 

Nesta continuação, acompanhamos os protagonistas do filme original estabelecendo-se na Casa Branca em Washington DC. Lá eles aprofundam os seus laços e criam rotinas familiares, no entanto, não tarda a este momento de felicidade tornar-se numa rotina para alguns, fazendo com que Wichita (Emma Stone – La La Land – 2016) e Little Rock (Scream Queens – 2015-2016) decidam partir em busca de algo novo.

 

O argumento pode não acrescentar muito à história, mas cumpre o dever de trazer todos os personagens originais de volta para mais uma aventura exigida pelos espetadores ao longo dos últimos 10 anos (o filme inicia logo quebrando a quarta parede e assumindo que esta sequela foi produzida graças a todos os pedidos dos fãs). Ao elenco antigo, adicionaram-se novos zombies com diferentes aptidões e novas personagens, sendo uma delas um dos maiores elementos cómicos desta continuação. Refiro-me à jovem Madison (Zoey Deutch – Before I Fall – 2017), uma jovem socialite pouco inteligente, bastante ingénua e fútil, mas capaz de deixar a sala de cinema às gargalhadas com cada uma das suas falas (pelo menos foi o que aconteceu na minha sessão). Atrevo-me a escrever que há anos que não me ria tanto com uma personagem num filme de comédia. E sim, contem rir-se muito. Aliás, em diversos momentos torna-se evidente que os atores se estão a rir genuinamente (isso encontra-se explícito numa cena que envolve Wichita, Madison e uns binóculos, na qual Emma Stone está a conter o riso enquanto Zoey Deutch já não o consegue fazer). Não possuo dúvidas que o ambiente do set de filmagens tenha sido extremamente animado.

 

Em campos técnicos, devo referir que a edição se encontra muito boa, consegue conduzir a narrativa com bastante energia e fazer com que não nos sintamos aborrecidos com algumas cenas mais paradas. Confesso que seria um ultraje continuar a crítica sem referir um pequeno confronto na segunda parte brilhantemente executado, criando a ilusão que tudo o que estamos a assistir não sofreu cortes. Por último, as cenas que envolvem os zombies estão boas, só que preferia que tivessem optado por um maior uso de efeitos práticos em vez de digitais, como Dead Snow 2 (2014) fez.

 

Extremamente cómico e repleto de energia, Zombieland: Double Tap é absolutamente uma das melhores comédias deste ano. Uma obra produzida inteiramente a pensar nos fãs, que apesar de pecar um pouco por não acrescentar nada à sua cronologia, não de inibe de soltar ácidas críticas sociais com o sarcasmo que todos gostamos.


Saí da sala de cinema com vontade de ver mais. Talvez tenhamos de aguardar mais 10 anos por um 3º capítulo, entretanto recuso-me a esperar o mesmo tempo pelo inevitável spin-off centrado em Madison (sim, essa personagem merece o seu próprio filme).


Pedro Quintão
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