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The Nun(2018)

Há um ano | Horror, Mistério, Thriller | 1h36min

de Corin Hardy, com Demián Bichir, Taissa Farmiga, Jonas Bloquet e Bonnie Aarons


Em 2016, com The Conjuring 2 vimos a introdução de Valak, o demónio que habita num corpo de uma freira e ficámos curiosos em desvendar os mistérios desta personagem. Assim regressa em The Nun – a tão aguardada prequela do universo de The Conjuring (2013-) realizada por Corin Hardy e com Gary Dauberman no argumento. 

A história remonta aos anos 50 e inicia-se com o suicídio de uma freira numa abadia, na Roménia. O sucedido chama a atenção do Vaticano que envia um padre experiente, Burke (Demián Bichir) e uma futura freira, Irene (Taissa Farmiga mais conhecida pela série American Horror Story (2011-)) para investigarem o caso. Achei interessante e inteligente que tenham escolhido a irmã da atriz Vera Farminga que interpretou Lorraine Waren nos dois filmes de The Conjuring (2013 e 2016). Quando o padre e a jovem freira chegam à Roménia, encontram-se com Frenchie (Jonas Bloquet), habitante local que encontrou o corpo.

Uma das principais preocupações do filme, tal como o trailer revela, era ser o capítulo mais assustador da saga. Será que conseguiu?

O filme constrói um bom ambiente de tensão que cresce gradualmente – a atmosfera da época foi bem demonstrada. A maioria dos segmentos são sombrios e a fotografia agradou-me, contando apenas com o recurso a velas para iluminar os cenários. No entanto, há momentos exageradamente escuros que dificultam a perceção.

A história é pouco contextualizada - não revela como devia, e como se esperava, a origem da Freira (Bonie Aarons) – muito menos explora a razão pela qual ela continua a existir 20 anos depois.

Quanto ao elenco, a promissora Taissa Farmiga destaca-se no seu papel com uma ótima performance, ao contrário de Jonas Bloquet que interpreta uma personagem que serve de comic relief, a meu ver, desnecessário, perdendo-se a seriedade e a tensão dos segmentos com os seus diálogos ridículos. O filme é de terror e não de comédia, por isso, a sua participação não me pareceu a melhor opção.

A banda sonora foi adequada, com exceção em algumas cenas, onde tornou previsível o “momento do susto”. Existem vários jumpscares. Um ou outro resultam, mostrando inteligência por parte da realização do filme, o problema é quando, à semelhança do que aconteceu em Slender Man (2018), se tornam repetitivos, perdendo, assim a sua eficácia, sobretudo para fãs de terror (como eu) que já desenvolveram anticorpos para este e outros clichés do género.

Faltou uma maior aposta no suspense e no mistério. Em The Conjuring 2 (2016), Valak ficou na memória por ter aparecido com menos frequência, menos detalhe e em cenas rápidas. Acredito que depois de The Nun se tenha perdido algum do medo que a fez tornar-se tão famosa.

Existe desligamento do filme face aos outros da saga. The Nun investiu na comédia, nos sustos gratuitos e expôs demasiado Valak, afetando a solidez da narrativa. Ainda assim, é um filme razoável, tecnicamente bem feito e que merece ser visto, sobretudo pelos fãs deste universo. 


Rafaela Teixeira
Outros críticos:
 Sara Ló:   4
 Bernardo Freire:   4
 Rafael Félix:   2
 Pedro Quintão:   4
 Rafaela Boita:   3
 Alexandre Costa:   4
 Raquel Lopes:   5