Este é um filme que ou se ama, ou se odeia, com a agravante que é mais fácil odiar do que gostar, até porque o ódio é tema recorrente no filme.

Este é um filme que ou se ama, ou se odeia, com a agravante que é mais fácil odiar do que gostar, até porque o ódio é tema recorrente no filme.

2007
Ação, Aventura, Sci-Fi | 2h19min
de Sam Raimi, com Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace, Bryce Dallas Howard e J.K. Simmons


O número 3 e filmes de super-heróis não se dão bem. Superman III (1983), Batman Forever (1995) e até X-Men: The Last Stand (2006) foram terceiros filmes das respetivas sagas que acabaram por estar aquém do esperado e dos filmes passados. Infelizmente, Spider-Man 3 segue este caminho, sendo o filme que levou a Sony a carregar no reset no que toca à franquia. 

Sam Raimi, que tanto elogiei nas minhas críticas passadas, volta a estar ao leme. Como se descobriu mais tarde, o realizador foi forçado a incluir elementos no plot que não queria. E isso nota-se no filme: pela primeira vez, o filme tem falta de paixão. 

Neste terceiro filme, o Spider-Man (Tobey Maguire) torna-se popular, o que leva com que a Mary Jane (Kirsten Dunst) vá sentindo inveja do namorado, que recebe a popularidade que ela não recebeu como atriz. Entretanto, o filho do Green Goblin, Harry Osborn (James Franco), renova o trabalho do pai, tornando-se o New Goblin e indo atrás de Peter Parker, vendo-o como responsável pela morte do pai, tendo-lhe um ódio. O Aranhiço descobre que um fugitivo, de seu nome Flint Marko (Thomas Church), é, afinal, o responsável pela morte do avô e também lhe ganha ódio. Ódio esse que é amplificado pelo simbiótico (que dá o fato negro). Já estamos com dois vilões, ambos com a característica de nascerem de ódio e com ligações ao Peter, como foi comum ao longo desta saga. E, eventualmente, junta-se um terceiro: Eddie Brock (Topher Grace), que se torna no Venom quando o Spider-Man se vê livre do simbiótico.

Falhou muita coisa nesta entrada, apesar de conter ação e até humor, ao estilo do Sam Raimi (Bruce Campbell volta a aparecer, algo que foi recorrente nos três filmes, como uma personagem bastante secundária). 

Este é um filme que ou se ama, ou se odeia, com a agravante que é mais fácil odiar do que gostar, até porque o ódio é tema recorrente no filme. Eu não odeio este filme e, para uma tarde de entretenimento, é capaz de servir o seu propósito, mas sinto-me desiludido. Traído. Mais traído ainda ao saber que a Sony cancelou o 4.º Spider-Man, não dando o (merecido) benefício de dúvida à equipa.

O filme peca por ter bastantes histórias a decorrer em simultâneo (3 vilões, a narrativa da Mary Jane e do Harry, problemas amorosos do herói) e várias personagens introduzidas. Até a Gwen Stacy surge no filme. Honestamente, parece que foi tudo colocado numa misturadora, batido e servido. Mas mal batido. Em vez de uma mistura homogénea, ficamos com uma pasta viscosa, com pedaços enormes que dificultam a ingestão – principalmente depois de sabermos o que estava para trás. Isso custa. Esta equipa que nos trouxe este Spider-Man (para muitos, o “eterno”), merecia mais. Nós merecíamos mais. Sabe a pouco. 

 


por Alex Duarte