Este filme serve na progressão de laços entre os protagonistas. É muito mais pesado que os quatros anteriores.

Este filme serve na progressão de laços entre os protagonistas. É muito mais pesado que os quatros anteriores.

2007
Aventura, Fantasia | 2h18min
de David Yates, com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Gary Oldman, Michael Gambon, Matthew Lewis e Imelda Staunton.


Depois de Chris Columbus e os seus filmes adequados a um público mais jovem – Harry Potter and the Philosopher’s Stone (2001) e Harry Potter and the Chamber of Secrets (2002), Alfonso Cuáron e o seu filme que deu um aspeto mais dark à saga em Harry Potter and the Prisoner of Azkaban (2004) e Mike Newel e o seu filme mais possuidor de ação em Harry Potter and the Goblet of Fire (2005) chega então um novo realizador, David Yates, desconhecido de todos em longas-metragens de grandes orçamentos, mas experiente na televisão, tendo capacidade em contruir uma história em vários episódios – o que lhe valeu realizar o restante da saga.

O que nos conta o filme?

Este quinto filme conta-nos a reação do mundo da magia perante o retorno de Lord Voldemort (Ralph Fiennes). O Departamento da Magia liderado por Cornelius Fudge (Robert Hardy) recusa-se em acreditar e faz de tudo para persuadir o público que Dumbledore (Michael Gambon) e Harry Potter (Daniel Radcliffe) são mentirosos a fim de tomar posse do Ministério. Para enfrentar esta nova ameaça, Dumbledore constitui a Order of the Phoenix (Ordem da Fénix), um grupo de magos com capacidades em enfrentar as tropas de Voldemort. Harry, do seu lado cria a The Army of Dumbledore (o Exército de Dumbledore) para ensinar os jovens estudantes de Hogwarts a defenderem-se, pois, Dolores Umbridge (Imelda Staunton), uma nova professora enviada pelo Ministério para reformular Hogwarts com novas regras, recusa-se ao ensinamento da magia aos alunos. A nova guerra contra Voldemort aproxima-se a grande passo.

Harry Potter and the Order of the Phoenix tem uma história muito densa, há demasiado para contar, a vantagem é que a história contínua interessante e não anda em círculos. O realizador David Yates e o argumentista Michael Goldenberg conseguiram adaptar o maior livro de J.K. Rowling num dos filmes mais curtos da saga – imaginem tudo o que foi cortado… sem perder qualidade! O universo continua a progredir e a luta entre o bem e o mal é preparado.

O filme permite-se de nos introduzir um pouco mais do mundo da magia, fora Hogwarts, desenvolvendo a parte política e o funcionamento do Ministério da Magia. É precisamente por isso é que a história é progressiva e interessante – vemos vários debates e propagandas entre personagens (como o julgamento de Harry no início do filme).

Traz-nos questões psicológicas sobre o protagonista Harry. É neste filme que Potter tem o melhor arco narrativo, desde a exploração do seu passado com o seu futuro e a ligação que existe com Lord Voldemort.

Existem várias cenas de antologia: a Sala das Profecias e o duelo magnífico entre Dumbledore e Voldemort – uma das cenas de ação mais brilhante dos últimos anos. As cenas de treino, onde Harry ensina os alunos são agradáveis e a química que existe entre ele, Ron (Rupert Grint), Hermione (Emma Watson), Neville (Matthew Lewis), Luna (Evanna Lynch) e Ginny (Bonnie Wright) fortalece-se.

Daniel Radcliffe tomou posse do seu personagem, lidera um grupo, tem a melhor performance de toda a saga. Acompanhamos a evolução dos alunos, amigos e é um prazer ver estes atores crescerem. Dolores Umbridge é possivelmente a personagem mais detestável de toda a saga. A grande inquisidora toda vestida de rosa é horripilante, tirânica e sádica, Imelda Staunton percebeu tudo, é brilhante. A banda sonora composta para Umbridge é espetacular, marcante e irritante. No geral, conseguiu renovar temas, é de alta qualidade.

Este filme serve na progressão de laços entre os protagonistas, a base da próxima guerra e a ligação que existe entre Harry e Voldemort. É muito mais pesado que os quatros anteriores.

David Yates chegou e afirmou-se como o grande revolucionário da saga – acabou o mundo da magia e começou o mundo das trevas. É um filme mais realista… e o humor desapareceu. Dá-nos vontade de ver o restante da saga.


por Alexandre Costa