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Rain Man(1988)

Há 2 meses | Drama | 2h14min

de Barry Levinson, com Dustin Hoffman, Tom Cruise, Valeria Golino e Gerald R. Molen


Rain Man, um drama familiar, de Barry Levinson, trabalha o crescer de uma grande amizade entre irmãos numa aventura que começa pelas piores razões, mas cuja trajetória se torna positiva. Por tudo o que significa e, sobretudo, pelo que me fez sentir ao vê-lo, alcançou a minha lista de filmes favoritos.

Conta-nos uma história atemporal que fala sobre a condição humana no seu pior e no seu melhor. Foi vencedor de 4 Óscares, dos quais o de Melhor Realizador para Barry Levinson, Melhor Ator para Dustin Hoffman, Melhor Filme e Melhor Argumento Original.

Charlie Babbitt (Tom Cruise), um homem empreendedor, despreocupado, que faz tudo para chegar aos seus objetivos e tem dificuldade em expressar os seus sentimentos, gere uma empresa de carros que está dependente de negócios para não ir à falência. Enquanto está numa viagem com a sua namorada Susanna (Valeria Golino), é informado que o pai faleceu. Lida com esta informação com grande apatia, até porque a relação com o pai era inexistente. Quando lhe vê barrada a hipótese de ficar com a fortuna deixada, descobre que tem um irmão autista, Raymond Babbitt (Dustin Hoffman), e decide raptá-lo para fazer chantagem e conseguir obter o dinheiro. Pelo caminho aprende a amar o irmão como ele é, deixando-o de o ver como um mero meio para um fim.

O melhor desta longa-metragem é exatamente a história que conta e a forma como o faz – além do drama funcionar muito bem pela química que existe entre os dois atores, temos em certas alturas um road movie que nos faz sentir que estamos na viagem com os personagens. Essa viagem não é apenas literal, é também metafórica, pelo menos para Charlie que tem um arco de desenvolvimento muito bem construído – passa de besta a bestial, de um egoísta para alguém capaz de sentir empatia e que aprende a valorizar a família. A meu ver, esta mudança foi muito bem escrita e explicada, pois, é-nos contado pelo próprio o porquê de se ter tornado nesse homem frio e egocêntrico – já aí começou a ser construída a empatia do espetador pelo personagem.

Claro que além do argumento, é impossível deixar de falar das performances dos dois atores. Sou muito fã do Dustin Hoffman, especialmente pelos seus papéis cómicos, no entanto, vê-lo trabalhar neste drama com tamanho profissionalismo e seriedade, pois, entrega-nos uma atuação realista, só me fez admirá-lo mais pela sua versatilidade. De Tom Cruise não posso dizer que sou grande fã, mas este é provável de ter sido o filme onde gostei mais de o ver atuar.

Não posso dizer que o filme tem um final feliz, mas tem um final credível e emocionante. Existe uma vontade de continuar a acompanhar estas personagens, porque sentimos que tivemos numa viagem com eles e os conhecemos. A meu ver, foi muito bem conseguido, dando a importância a pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

Rain Man equilibra bem momentos de humor e de tristeza. Trata-se de uma história atemporal emocionante sobre religar à família, sobre tornar-se numa pessoa melhor que valoriza o outro.


Rafaela Teixeira
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   9