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47 Meters Down: Uncaged(2019)

Há 2 meses | Aventura, Drama, Horror, | 1h30min

de Johannes Roberts, com Sophie Nélisse, Corinne Foxx, Brianne Tju, Sistine Rose Stallone, John Corbett e Nia Long


Há coisa de 2 anos, escrevi-vos sobre um filme que ainda que não fosse um clássico do cinema contemporâneo, não era mauzinho de um todo em comparação ao que se tem vindo a fazer nesta parte da indústria cinematográfica. 47 Meters Down (2017), à semelhança de The Shallows (2016), não evitou os clichés nem renovou o género que nos traz o grande predador como antagonista, mas esforçou-se para se desviar do status quo que foi estabelecido nos últimos anos.

Ora, este ano, por alguma razão, estreou a sequela: 47 Meters Down: Uncaged. Quem viu o primeiro filme, deverá perguntar-se como raio é possível fazer uma sequela depois da forma como terminou o precedente. E é exatamente isso que ainda me continua na cabeça. Acho que a grande questão desta crítica deveria ser dissecar o porquê de este filme ser um 47 Meters Down, porque pode mais naturalmente ser visto como um filme individual do que uma sequela. Não nos traz as mesmas personagens, não nos traz a mesma situação, não nos traz sequer referências.

Em 47 Meters Down: Uncaged somos apresentados aos melhores pais da história. Jennifer (Nia Long – a atriz de NCIS: LA) e Grant (John Corbett) casaram-se depois de um divórcio de cada lado e trouxeram, cada um, as suas filhas para um novo núcleo familiar. Mia (Sophie Nélisse) e Sasha (Corinne Foxx) não se dão bem, mas também não é difícil perceber porquê, uma vez que na opening sequence Mia é vítima de bullying ao pé da meia-irmã e quando ambas são apanhadas na escola por Jennifer, esta embora perceba que algo se passou, não insiste nem parece muito interessada em saber. Para tentar resolver esta divergência entre as irmãs, os Grant e Jennifer decidem oferecer uma experiência para as duas nadarem com tubarões-brancos, enquanto eles trabalham. Parents of the year, right?

Depois de as deixarem no local para isso e irem embora, Sasha convence Mia a não irem e, em vez disso, irem desfrutar da boa vida, num lago ao pé das cavernas aquáticas que Grant investiga, com Alexa (Brianne Tju) e Nicole (Sistine Rosa Stallone). Escusado será dizer que as quatro meninas acabam por decidir fazer mergulho e investigar as grutas e que as coisas não correm assim tão bem.

47 Meters Down: Uncaged tem a minha forçada aprovação no timing de alguns momentos narrativos mais tensos e na até agradável realização de Johannes Roberts, no entanto, o argumento escrito tanto pelo realizador como por Ernest Riera, é um tanto ou quanto estúpido e tremendamente ilógico em toda a sua essência.

Somos presenciados por situações que não fazem o menor sentido e que nem sempre servem só para continuar a justificar o desenvolvimento da história. As 4 amigas conseguem falar umas com as outras debaixo de água sem qualquer dispositivo que as permita fazê-lo, o fator que desencadeia o aparecimento dos tubarões é um peixe que grita e assusta uma das amigas e a faz derrubar uma coluna das cavernas – desde quando é que os peixes gritam?! –, como é que dois tubarões-brancos sobreviveram anos e anos numa caverna sem comida que os alimente? Em cima disto tudo, somos milhentas vezes presenciados com cenas em que as amigas são obrigadas a passar pelos caminhos mais finos possíveis e imaginários para fugirem ao jantar dos bichanos, mas quando passam para o outro lado, têm-nos já lá à espera de garfo e faca. Ah, e o filme não se passa sequer a 47 metros de profundidade.

Enfim, 47 Meters Down: Uncaged é um filme que quanto mais pensamos mais facepalms temos que fazer. Não lhe tiro o mérito de ter um ótimo ritmo, sequências a roçar o aceitável e um ou outro jumpscare que funciona. Mas a sua narrativa é por demais ilógica, o seu CGI é mau e saímos com uma panóplia de questões que ficam por responder. 


Pedro Horta
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 Alexandre Costa:   3