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Avengers: Endgame(2019)

Há um ano | Ação, Aventura, Fantasia, | 3h1min

de Anthony Russo e Joe Russo, com Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Chris Hemsworth, Brie Larson, Josh Brolin, Jeremy Renner e Paul Rudd


CRÍTICA SEM SPOILERS

Avengers: Endgame dificilmente pode ser julgado como um filme isolado. Não. Endgame é o culminar de uma odisseia que levou 22 filmes para percorrer, e chega agora a um final que poucos de nós imaginariam há 11 anos atrás. Os irmãos Russo entregam-nos a conclusão do capítulo final que começou há 12 meses em Avengers: Infinity War (2018) e que fez largar mais lágrimas nas salas de cinema do que qualquer outro filme até à altura oferecido pela Marvel Cinematic Universe.

Vamos assumir que vocês viram Infinity War, sim? Nem faria sentido estarem a ler isto se assim não fosse. Depois de Thanos (Josh Brolin) usar as infinity stones para destruir metade de toda a vida no Universo, os nossos heróis estão entregues ao desespero do luto, uns tentando seguir em frente, outros a procurar uma solução para a tragédia cósmica provocada pelo Titã. Talvez haja uma forma. Um tiro no escuro. Uma hipótese em 14.000.605. Cabe aos Avengers originais, Tony Stark (Robert Downey Jr.), Steve Rogers (Chris Evans), Bruce Banner (Mark Ruffalo), Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), Clint Barton (Jeremy Renner) e Thor (Chris Hemsworth), aliados com alguns dos heróis que fomos conhecendo ao longo dos últimos 11 anos, reverter o snap e derrotar Thanos.

Se em Avengers: Infinity War a personagem principal é, indiscutivelmente, Thanos, em Avengers: Endgame não é bem assim. O nosso vilão já teve o tempo suficiente para ser desenvolvido, e o seu percurso concluído no filme anterior, portanto agora é tempo de olhar para os nossos heróis, para as pessoas que acompanhamos ano após ano até a este ponto.
E não é só nesse aspeto que estas duas partes divergem. Enquanto o primeiro capítulo é fast-paced, non-stop action de uma ponta à outra, Endgame envolve um ritmo muito mais lento, em que as três horas de duração se fazem sentir, principalmente no primeiro ato, em que por muito compreensível que seja o facto de os Russo quererem estabelecer bem as personagens e em que situação cada uma delas se encontra após o snap, há algumas cenas que poderiam estar fora do filme porque o que oferecem é pouco ou nada, e ajudaria o filme a fluir bastante melhor.

Dito isto, o ritmo lento e por vezes arrastado de Endgame acaba por ser recompensado com tudo o resto. É tudo o que se poderia imaginar que seria, e mais alguma coisa. A melhor prova disto é a seguinte: mesmo sabendo que há novos filmes sobre Peter Parker ou T’Challa na calha da MCU, ainda assim a tensão sobre o futuro de cada destas personagens foi sempre palpável. Dentro da própria previsibilidade que acaba por ser inevitável a estes filmes, Endgame conseguiu puxar o tapete debaixo dos meus pequenos pés várias vezes, fosse com desfechos, ou com fan-service (porque se há filme que merece dar todo o fan-service possível é este) que quase me fez levantar, gritar e dar um mortal para trás, não fosse a minha terrível falta de capacidade física e medo de bater com o pescoço no chão.

Há um sentimento de fim iminente que se aproxima a cada minuto que passa dos 180 de duração. Parece que todas as personagens estão constantemente a caminhar para o culminar do arco que têm a percorrer neste Universo, e que o seu destino está praticamente fechado. De uma certa forma há um passar da tocha, para um novo futuro trazido pelos heróis que têm vindo a ser introduzidos nesta fase mais recente da Marvel, mas esse nunca é o foco de Endgame. O olhar dos Russo estava apontado aos nossos companheiros mais antigos, em fazer justiça ao legado que construíram durante mais de uma década e sobre o qual fizeram crescer todo o franchise. E na minha não tão modesta opinião, dificilmente poderiam ter feito um melhor trabalho.

Houve uma diferença que me saltou à vista em comparação com Infinity War. A Batalha de Wakanda foi de longe a parte mais fraca do filme, a sequência pareceu ter sido filmada no auge da shaky-cam, aquele hábito insuportável que apareceu nos filmes de pancada deste século em que a câmara abana tanto que é simplesmente impossível de focar um ponto. Desta vez, o grande conflito (epá não é spoiler, é um filme de super-heróis, claro que vai haver porrada) é mais focada, mais interessante e muito mas mesmo MUITO bonita de ser ver. Nesta sequência de proporções épicas há também fan-service de proporções épicas, e sem vergonha, em cada um deles, derramei uma pequena lágrima marota, a emoção contida em mim durante 11 anos não se aguentou dentro dos meus olhos. UM HOMEM TAMBÉM CHORA.

Isto já vai longo, e há tanto para dizer e o meu medo de vos estragar a experiência com spoilers involuntários faz-me parar aqui. Endgame foi exatamente o que tinha de ser. Foi épico, foi de partir o coração, foi de gritar de entusiasmo e chorar copiosamente de emoção. Ver os nossos companheiros de infância e adolescência percorrer um caminho tão longo para chegar a um final que lhes faz tanta justiça, enche-me de um misto de alegria e alívio. Não havia filme que eu temesse mais uma desilusão do que este, e posso finalmente respirar, porque os Russo não me deixaram mal.


Rafael Félix
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   8
 Pedro Quintão:   7
 Bernardo Freire:   8
 Rafaela Boita:   9
 Pedro Horta:   8
 Rafael Félix:   8