Dumbo afirma-se como mais um belíssimo filme da Disney, tal como uma magnífica produção de Tim Burton.

Dumbo afirma-se como mais um belíssimo filme da Disney, tal como uma magnífica produção de Tim Burton.

2019
Aventura, Família, Fantasia
de Tim Burton, com Colin Farrell, Michael Keaton, Danny DeVito, Eva Green e Alan Arkin


Após Cinderella (2015), The Jungle Book (2016), Beauty and the Beast (2017), entre muitos outros, Dumbo (2019) é a mais recente proposta de uma das inúmeras adaptações live-action, produzidas pela Disney, com o objetivo de ressuscitar os seus clássicos, adaptá-los ao público-atual e claro, lucrar umas boas centenas de milhões de dólares no box-office.

 

Realizado pelo visionário Tim Burton, que nos trouxe clássicos como Beetlejuice (1988), Batman (1989) e a sua sequela Batman Returns (1992), Edward Scissorhands (1990), ou até mesmo Sweeney Todd (2007), Dumbo é a nova releitura da animação clássica de 1941 e conta-nos a bela história de um bebé elefante, que possui uma anomalia física: as suas orelhas são gigantes. Inicialmente é rejeitado e alvo de piadas por parte do circo onde trabalha, mas com a ajuda de duas crianças, o pequeno elefante transforma o seu problema num talento e aprende a voar com as suas orelhas. Rapidamente passa de uma aberração a uma estrela e isso atrai a atenção de um terrível empresário com segundas intenções.

 

Não conhecia a história de Dumbo, nunca foi um conto que me apelasse, contudo senti-me curioso devido a Tim Burton assumir o cargo de realizador, porque desde novo que me considero como fã da sua visão artística, apesar de existirem dois ou três trabalhos seus que abomino. A tal visão de Burton está implícita em toda a adaptação, desde o visual das personagens, passando pelo design dos cenários e pela fotografia em tons pastel.

 

Posso considerar que se encontra excelente numa perspetiva técnica, mas isso não me surpreende porque é uma produção da Disney. A fotografia é belíssima, repleta de ótimos enquadramentos e os seus tons fornecem-lhe identidade artística. Por sua vez, a edição é o que podemos encontrar nas obras do mesmo género, um corte ali, outro acolá e depressa temos uma história que nos encanta e que não perde o ritmo. Outro ponto que também é caraterístico de praticamente todas as obras do mesmo estúdio, são os efeitos visuais. Dumbo entrega-nos um CGI perfeito, ainda assim, existem alguns momentos em que o uso da tela verde/green screen é notório. Danny Elfman encarregou-se de se responsabilizar pela banda sonora e celebrou mais uma parceria com Burton, acabando por nos congratular com músicas que intensificam o propósito de cada cena.

 

Se em termos técnicos está excelente, o mesmo posso assegurar do argumento. Consistindo numa adaptação de um conto de animação de 1941, o live-action adicionou cerca de 50 minutos ao enredo e isso trouxe um maior desenvolvimento das personagens humanas, que pouco destaque possuem no original. Essas personagens surgem na forma de duas crianças interpretadas por Finley Hobbins e Nico Parker. Eu sei que não posso exigir que uma criança possua as mesmas competências de atuação que um adulto, mas Nico tem muito para evoluir, até porque já vi atrizes da sua idade a conseguirem fazer mais e melhor, a sua personagem era demasiado apática e desnutrida de carisma, enquanto deveria ser o oposto. Colin Farrel destaca-se como o pai dessas crianças, um ex-soldado que tenta reencontrar o seu rumo. Danny DeVito é o ganancioso Max Medici, uma personagem bastante interessante, mas que não é a melhor de DeVito, mesmo assim senti-me feliz por reencontrar este “pequeno grande” senhor numa super-produção. Eva Green destaca-se num belo papel que surge a meio da narrativa e que seguramente irá enganar a maioria dos espectadores. Já Michael Keaton é o vilão, um empresário que observa o pequeno elefante como um recurso que lhe trará mais fortuna e poder.

 

Gostei que esta versão enfatizasse mais as relações humanas, apresentasse lições sobre a ganância, afeto e diferença, mas conseguiria ganhar ainda mais se continuasse a focar as relações entre os personagens. Outro aspeto que poderia receber um maior desenvolvimento são os artistas de circo. Independentemente de terem alguns momentos de destaque, gostaria de observar mais um pouco sobre os seus talentos, é algo que poderia enriquecer ainda mais o argumento.


Dumbo afirma-se como mais um belíssimo filme da Disney, tal como uma magnífica produção de Tim Burton. Pode não ser a melhor do realizador, mas não deixa de ser muito boa. Com pouco espaço para atos musicais, mas com imenso para momentos emocionais, é sem qualquer dúvida uma escolha acertada para assistir em família. Acredito que deslumbre miúdos e graúdos, mas já não asseguro o mesmo se forem fãs da animação de 1941, pois neste caso estamos perante um trabalho ligeiramente diferente daquele que vos marcou.


por Pedro Quintão