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Hostiles(2017)

Há um ano | Aventura, Drama, Western | 2h14min

de Scott Cooper, com Christian Bale, Wes Studi, Rosamund Pike, Rory Cochrane, Jonathan Majors e Jesse Plemons


O ano é 1892. O local é Fort Berringer, Novo México, EUA. O capitão é Joseph J. Blocker (Christian Bale). A missão: levar o chefe Yellow Hawk (Wes Studi) para Montana. O quandoondequem o quê jornalísticos estão respondidos. O veredicto? 2 vitórias e 6 nomeações. A atenção que recebeu? Pouca para o filme que é. E que filme é? Senta, que lá vem crítica.

O filme é escrito e dirigido por Scott Cooper, com Christian Bale como o grande nome do elenco. A ele, junta-se Rosamund Pike, nomeada para melhor atriz pela Academia de Filmes Ficção Científica, Fantasia e Horror dos EUA (porquê que foi nomeada por esta academia?), que interpreta Rosalie Quaid, uma vítima de um assalto indígena que destruiu a sua família. Wes Sudi, como o chefe Yellow Hawk, completa o conjunto dos três atores principais. Joseph Blocker, ou Joe, é um soldado norte-americano que, durante anos, capturou diversas tribos indígenas no sul dos EUA. Para ele, os índios são selvagens que merecem ser tratados como tal, apesar do facto das suas terras terem sido, como bem sabemos, roubadas pelo povo que o Joseph representa. O chefe Yellow Hawk é um inimigo pessoal do capitão, tendo assassinado vários dos seus colegas. Para Joe, é um pecado e insulto libertar o índio para que possa viver os seus últimos dias em Montana, o seu estado de origem. Afinal, os índios são selvagens, lembram-se? Após muita teimosia, Joseph acaba por aceder ao pedido, seguindo as ordens diretas do então Presidente Harrison. É aí que o filme começa. Pelo caminho, encontram Rosalie Quaid, a tal vítima que já mencionei. A sua família foi assassinada por uma outra tribo, rival da do chefe Hawk. Inicialmente, Joe trata a tribo que tem que proteger como animais, achando que não tem que os humanizar. À medida que a história prossegue, e à medida que desafios que requerem cooperação de todos vão surgindo, Joe tem uma evolução, como personagem, bastante interessante.


O ponto que o filme aborda, como fica mais ou menos claro durante a longa, relaciona-se com o facto de, não raras vezes, o racismo e xenofobia surgirem por desconhecimento. Por outras palavras, é, infelizmente, comum alguém odiar outro ser humano só por ser diferente e com base em ideias pré-concebidas. Um exemplo do século XXI prende-se com os muçulmanos. Existem cerca de 1.7 mil milhões de muçulmanos no mundo, dos quais cerca de 26 milhões (ou 5% da população da UE) residem na União Europeia. Ora, há quem ache que todos os muçulmanos são terroristas porque uma minoria, que nem representa o islamismo, o são. Seria bastante injusto catalogar todos os cristãos de terroristas só porque, entre o século XI e XIII, houve um movimento de matar quem não fosse cristão (Cruzadas), não seria? Qualquer religião, ou qualquer causa, levada ao extremismo e descontextualizada pode gerar violência. É, por isso, importante não catalogar toda a gente como ou sem conhecermos o outro lado. A própria Bíblia tem uma passagem na qual Deus destrói uma aldeia por conter homossexuais, algo cobarde e que não corresponde a um Deus bondoso. Voltando ao enredo do filme, os índios viram as suas terras serem roubadas e aproveitadas pelos brancos. Se alguém roubasse a vossa casa, ficariam simplesmente quietos? Não chamariam a polícia ou, caso o próprio sistema estivesse contra vocês, não se defenderiam? A verdade, como já disse em, pelo menos, uma crítica aqui no site, não é clara ou preta, há muito cinzento pelo meio e é isso que o filme aborda.




Nesta linha de raciocínio, como disse acima, Joe evolui durante o filme. Começando a odiar a população indígena, à medida que o tempo avança e a convivência com eles aumenta, mais humano Joe se torna, admitindo que, se calhar, estes índios em específico são tão humanos como ele. Como ele, só querem paz e felicidade. A própria Rosalie, que viu a sua família ser assassinado por uma tribo, se vai tornando mais sensível às dificuldades que os índios têm. O ponto do filme, que acabo por concordar, é que devemos passar tempo com as pessoas diferentes de nós antes de tomarmos um julgamento. Em pleno século XXI, apesar dos avanços sociais, ainda há esta mentalidade antiquada e, para piorar, ainda há muitos populistas que, oportunamente, tentam passar a imagem de “nós vs eles”. Isso não existe. Somos todos nós. Somos todos humanos. Todos queremos ser felizes. O diálogo deve ser a primeira opção.


Do ponto de vista técnico, a caracterização do filme é excelente, bem como o vestuário, que corresponde ao da época. A banda sonora é o que seria de esperar num filme do velho oeste. A mim, particularmente, agrada-me, a famosa música western dos EUA. Apesar de todos os elogios que fiz ao filme, penso que, na prática, acaba por ficar um pouco aquém da mensagem que quer transmitir. Parte da razão prende-se com o facto de o filme nunca mostrar o lado dos índios. Ou melhor, mostra, mas muito superficialmente. Não entra em grandes detalhes, não mostra o lado humano e sentimental dos indígenas, o que é de lamentar e, por isso, me impede de dar uma nota mais elevada. Queria dar um 8 para cima, porque o filme é bom e a mensagem também é boa, mas não posso porque poderia ser mais. É um bom filme, mas poderia ser um filme excelente. Fica, por fim, a nota positiva, e mais que positiva, para a atuação do Christian Bale sendo, na minha opinião, de longe o melhor dos três principais. Nada que surpreenda num homem com a bagagem dele, mas é sempre importante frisar.


Alex Duarte
Outros críticos:
 Rafael Félix:   4
 Alexandre Costa:   8