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After(2019)

Há um mês | Drama, Romance | 1h46min

de Jenny Gage, com Josephine Langford, Hero Fiennes Tiffin, Khadijha Red Thunder e Dylan Arnold


Agora que estiquei os braços e estalei os dedos, a crítica pode começar. Desta vez não há tempo a perder com introduções, o que se segue não é escrito com entusiasmo. After é baseado no romance de Anna Todd, com o mesmo nome, e conta a história de Tessa Young (Josephine Langford), que está a transitar do liceu para a faculdade. É lá que encontra Hardin Scott (Hero Fiennes Tiffin), um estudante todo mauzão que inevitavelmente conquista o coração da protagonista. Daí em diante o enredo retrata a relação entre ambos e as consequências desta nas restantes personagens.

O aspeto mais favorável da narrativa é a forma como a realizadora Jenny Gage torna a sequência dos eventos pelo menos assistível. Perante um cenário tão genérico e recalcado, o primeiro terço flui com um ritmo surpreendente, ainda que inevitavelmente se torne numa festa do soninho, com o DJ almofada a encabeçar o cartaz principal. Mas estou a precipitar-me. O interesse inicial advém do mistério de como é que vai acontecer o que já se sabe que vai acontecer. E não prejudica o facto do casal central apresentar alguma química quando juntos.

No entanto, o charme desvanece rápido e de uma forma quase cruel. A narração que abre o filme reflete que "há certos momentos na vida que parecem definir-nos enquanto pessoas", e esse é apenas o primeiro dos inúmeros clichés que aborrecem a esmagadora maioria das cenas. No que diz respeito aos filmes que almejam uma faixa etária mais jovem, aqui não há vampiros brilhantes ou fantasias sexuais, é um cenário muito mais mundano, monótono, algo que espelha não só o argumento como também as interpretações e a direção de arte.

O trunfo de After é, como seria expectável, a quantidade de sequências sexuais idealizadas. Mas saiu-lhes furado. Depois da segunda cena do género, depois de perceber que as terríveis expressões de erotismo do filme não passam de troncos nus e interações mecânicas, ficou claro que nem o público-alvo tem a ganhar com esta paupérrima adaptação. É difícil identificar o sexo como algo aborrecido, mas After consegue a proeza com brio.

Com todos os defeitos que constituem o feitio do filme, ainda se dá ao luxo de ser penosamente longo. Quando as surpreendentes revelações do terceiro ato começam a atingir o íntimo das personagens, já só interessa o que se vai comer a seguir. After é, hipoteticamente, capaz de surtir algum efeito em quem ainda não chegou à puberdade, mas acredito que até os corações mais ternos e inocentes vão torcer o nariz a esta calamidade. Por falar em comida, é a minha deixa.


Bernardo Freire
Outros críticos:
 Pedro Horta:   4
 Alexandre Costa:   2