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Poseidon(2006)

Há um mês | Ação, Aventura, Drama, | 1h39min

de Wolfgang Petersen, com Josh Lucas, Kurt Russell, Jacinda Barrett, Richard Dreyfuss, Emmy Rossum e Mía Maestro


Tem vezes que fico preocupado comigo próprio por reparar na quantidade de vezes que vejo e revejo obras cujo tema principal seja um navio enorme e luxuoso a momentos de dizer “olá” ao fundo do oceano. É provavelmente dos cenários que mais me intrigam e me prendem, independentemente da qualidade geral das obras, há um certo quê de conexão com gente que está desesperada por se pôr fora de um navio que vai ao fundo.

Obviamente que quando falamos deste assunto, o primeiro nome que nos vem à cabeça é Titanic (1997), de James Cameron. O famoso filme que, segundo a maioria das pessoas, viu o egoísmo de Kate Winslet ao não permitir que Leonardo DiCaprio se juntasse a ela no topo daquela porta flutuante. Mas hoje vamos divergir-nos um pouco desse estrondoso clássico e vamos a 2006 revisitar Poseidon, de Wolfgang Petersen.

Poseidon é o Deus dos Mares e é também o nome dado a um luxuoso navio que fazia a viagem, curiosamente, entre Southampton e Nova Iorque quando na noite de 31 de dezembro, durante as celebrações de ano novo, é abalroado por uma rogue wave e é virado ao contrário, ficando apenas com o casco ao de cima de água. Enquanto todos os passageiros cumprem as ordens do Capitão Bradford (Andre Braugher) e ficam na maior sala do navio à espera do resgate, Dylan (Josh Lucas), Robert (Kurt Russell), a sua filha Jennifer (Emmy Rossum), o seu namorado Christian (Mike Vogel), Maggie (Jacinda Barrett), o seu filho Conor (Jimmy Bennett), Nelson (Richard Dreyfuss), Elena (Mía Maestro) e Lucky Larry (Kevin Dillon) decidem tentar a sua sorte e atravessar aquele navio de pernas para o ar em busca de sobrevivência.

Antes de prosseguir, explicar o que raio é uma rogue wave. É, como o nome indica, uma onda matreira, falsa, desonesta, digamos assim. Uma onda solitária de proporções gigantescas que podem causar vários problemas a navios em mar alto. Por muito que se possa pensar que não passam de ficção para, neste caso, servir o filme, a verdade é que existem, embora raras, tendo já sido registadas alturas de 30 a 40 metros de altura e vários embates com navios.

Portanto, Poseidon até se apoia à realidade para desenvolver uma história que funciona para mim, simplesmente, porque tem gente a tentar escapar um navio que está em posição de tartaruga. Não é revolucionário, não acrescenta nada ao estilo mas, de certa forma, é divertido sobretudo porque tem apenas 90 minutos de duração.

Em 2007, Poseidon marcou até presença nos Oscars, com uma nomeação para Melhores Efeitos Visuais, mas viria a perder para Pirates of Caribbean: Dead Man’s Chest. Não é de todo um filme que peça prémios e estatuetas, mas não se pode negar que, de facto, entretém.

Tenho dois ou três problemas sérios com o filme porque me fizeram coçar a cabeça seriamente e questionar toda a existência da Humanidade. Entre elas o facto de logo após o embate, Bradford informar os passageiros que assim que a onda bateu no navio, foram enviados pedidos de socorro à Guarda Costeira e que só teriam que esperar, e cito, “várias horas”. Porquê várias horas? Em 1912, quando o Titanic foi desta para melhor, esperaram 4 horas pelo Carpathia. Como é que pleno século XXI, dois míseros helicópteros demoraram uma noite inteira a chegar ao local, só chegando já o sol raiava?

Mas enfim, acho que isso é pedir demais para o tipo de filme que é. É giro, cliché e com personagens estereotipadas, mas é capaz de apresentar uma realização bastante interessante, boas dinâmicas entre as personagens e, até, um belo arco em Dylan. De modo geral, cumpre no que se promete embora um tanto ou quanto ilógico por vezes.


Pedro Horta
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