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Rambo: Last Blood(2019)

Há 2 meses | Ação, Aventura, Thriller, | 1h40min

de Adrian Grunberg com Sylvester Stallone, Paz Veja, Yvette Monreal, Óscar Jaenada e Sergio Peris-Mencheta


Sylvester Stallone tem um legado de personagens icónicas que poucos poderão igualar. Desde Rocky Balboa na saga Rocky (1976-2006) e nos recentes Creed (2015-2018), passando por mercenário nos The Expendables (2010-2014). E, como não poderia ficar fora da lista, Rambo. John Rambo. Ou, Juanito Rambo, como foi tratado neste último filme.

Para quem não está muito a par da personagem, Rambo é um herói de guerra do Vietname. Com os seus traumas de guerra acaba por ter muitos problemas na sua adaptação à vida na sociedade. Com isto, podemos ver os seus meios pouco ortodoxos no que toca à luta e é isso que o torna único, icónico, diferente de todas as outras personagens de guerra. E, o Rambo: Last Blood pretende encerrar a história deste ícone. Mas, acredito que merecia muito melhor.

Este filme inicia-se com uma tempestade, onde John (Sylvester Stallone) tenta salvar 3 caminhantes perdidos. No entanto, acaba por “falhar”, salvando apenas uma pessoa. Cheio de remorsos e culpa, acumulados também das vivências passadas, vemo-lo a voltar à sua vida normal. Este mora com a sua sobrinha e avó numa quinta bastante acolhedora, sendo agora criador de cavalos e construtor de túneis. A verdadeira história começa quando a sua sobrinha Gabriella (Yvette Monreal) lhe pede para ir ao México conhecer o seu pai, que há muito a tinha abandonado. Sendo ele contra esse encontro, Gabriella rapidamente falha com o combinado, decidindo ir sozinha ao México. E é aqui que tudo se desmorona.  

Para já, tendo em conta as relações incríveis que os Estados Unidos têm com o México, não pude deixar de reparar a facilidade com que a fronteira é cruzada. Tanto de um lado como para o outro. Um pormenor que nada modifica o rumo da história, mas não queria deixar de mencionar a falta de realismo. Mas por norma, esses pormenores burocráticos falham SEMPRE nesse estilo de filmes.

Esta longa-metragem falha pela tentativa de criar uma história complexa para o pouco tempo que o filme tem. Tudo anda de uma maneira tão rápida, as cenas que deveriam dar mais luta para o protagonista são as mais apressadas, perdendo o encanto a que fomos habituados. A narrativa tem bastantes falhas no que toca aos pormenores. Enquadram personagens secundárias que, têm o seu momento de destaque, mas depois são totalmente esquecidas. Situações que, numa primeira fase, são difíceis de se chegar para o protagonista, mas do nada, tudo é facilitado para que a história avance. No entanto, parabenizo uma cena em particular que decorre nos túneis. Naquele momento, conseguimos ter flashbacks daquilo que conhecemos realmente do Rambo, relembrando assim o First Blood (1982).

Quanto às performances dos atores, pouco ou nada eles podiam fazer face ao enredo. Stallone em nenhum momento perde a postura ou carisma de Rambo. Acho que já lhe é uma personagem tão intrínseca que não há como falhar na sua prestação. No lado contrário, temos os irmãos Martinez, interpretados por Óscar Jaenada e Sergio Peris-Mencheta. Há um equilíbrio entre estas duas personagens, porque um é o líder da equipa, o que planifica tudo, o inteligente da coisa. Já o outro é mais impulsivo, encarregue de executar os planos. Carmén Delgado, que interpreta Paz Veja, uma jornalista, é de uma extrema relevância num minuto, mas depois disso é completamente esquecida. Aparece como salvadora do protagonista, cria-se uma pequena história sobre ela que depois não se volta a pegar mais.

Como filme de despedida da personagem, fica muito aquém daquilo que os fãs estavam à espera. É uma personagem icónica, intemporal, que marcou gerações e tudo culmina num trabalho medíocre, apressado e que não transmite metade da nostalgia que supostamente deveria existir no fim de uma saga. Mas enfim, não deixará de ficar nas nossas memórias e na História do Cinema. Até sempre, Juanito!


Raquel Lopes
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