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Christopher Robin (2018)

Há 6 meses | Animação, Aventura, Comédia | 1h44min

de Marc Forster, com Ewan McGregor, Hayley Atwell, Bronte Carmichael, Mark Gatiss e Oliver Ford Davies


Marc Foster é um conceituado realizador que já se viu reconhecido diversas vezes pela Academia. Várias das suas obras marcaram presenças em diferentes cerimónias, como são os casos de Monster’s Ball (2001) [nomeado a 2 prémios e vencedor de 1], Finding Neverland (2004) [nomeado para 7 prémios (incluindo Melhor Filme) e vencedor de 1] e The Kite Runner (2007) [nomeado a 1 prémio]. Como tal, Foster é o homem escolhido para trazer à vida real o famoso Winnie The Pooh e os seus amigos num novo live-action da Disney, conseguindo igualmente uma nomeação.

Christopher Robin conta-nos a história, precisamente, do miúdo Christopher (Orton O’Brien / Ewan McGregor) que é obrigado a despedir-se dos seus fiéis amigos Pooh, Tiger (ambos por Jim Cummings), Piglet (Nick Mohammed), Eeyore (Brad Garrett), Rabbit (Peter Capaldi), Kanga (Sophie Okonedo), Roo (Sara Sheen) e Owl (Toby Jones) para embarcar numa nova etapa da sua vida: o colégio interno. Robin cresce, cumpre a tropa, vai para guerra, casa, tem uma filha e arranja emprego numa empresa de criação de bagagens. Numa vida chata e sem tempo para a sua família, que lentamente se afasta dele, Robin ganha a tarefa de decidir num fim-de-semana quem despedir na empresa, uma vez que as finanças não estão famosas. E de repente, surge o reencontro indesejado e inesperado com Pooh, em pela cidade Londrina.

Christopher Robin revelou ser uma muito agradável surpresa aos meus olhos. Embora seja fã das histórias de Winnie The Pooh, em momento algum tive curiosidade em ver a longa-metragem de Marc Foster precisamente porque se trata de (mais) um live-action da Disney. Aquilo que parece vir a ganhar mais força no mercado hollywoodiano não tem trazido (ou muito raramente traz) algo de novo e bom de ser ver, é sempre mais do mesmo mas não-animado, muitas vezes não se percebendo que a magia de algumas histórias é serem animadas. No entanto, Christopher Robin foge um pouco a standard atual dos live-actions e acaba por surpreender.

A narrativa apresentada é realmente agradável de se assistir. Os momentos são alicerçados com uma naturalidade e ingenuidade tremendas. A história usa a ingenuidade dos animais, que, à diferença de Robin, não cresceram, para colocar toda uma aura cómica no filme, que resulta e resulta bastante bem. Em junção a isso, os diálogos estão mágica e comicamente bem escritos, algo que foi uma grande surpresa.

As personagens criadas por A.A. Milne e Ernest Shepard não perderam nenhuma das suas características e essências e esse trabalho tem de ser mencionado e aplaudido, não só porque é uma excelente decisão da equipa criativa de Christopher Robin, como funciona tremendamente bem. Há diálogos vindos de Pooh soberbos, da forma como são inesperados. Deixo aqui apenas uma menção à cena em que Robin diz a Pooh (e traduzindo à letra) “Estou rachado.”, ao qual Pooh responde muito calmamente “Não vejo nenhuma racha. Só rugas.”.

Em cima de tudo isto, o guião planta muitos momentos que quer colher a curto ou longo-prazo e quando tal técnica é utilizada da forma correta, há toda uma satisfação que surge na audiência.

Tecnicamente o filme é agradável, mas nada dentro do extraordinário. Menção óbvia e natural apenas para os efeitos visuais (que estão nomeados na Academia). Diferentemente das decisões tomadas por Jon Favreau em The Jungle Book (2016), ou no futuro The Lion King (2019), ou por Andy Serkis em Mowgli (2018), Foster opta por ter os animais live-action exatamente iguais ao desenho animado. Pelo menos a mim, este fator ajuda a entrar na história porque sentimos que já conhecemos as personagens, que elas apenas entraram no ‘mundo real’. Foster opta apenas por lhes retirar as cores saturadas e embasá-las mais, de modo a funcionar com a realidade.

Resumindo, Christopher Robin revelou-se, realmente, uma bela surpresa. Optando por assumir uma história cliché em que um adulto está perdido na sua vida, sem saber as suas prioridades, tendo que regressar à sua infância para se relembrar da alegria que é viver, Foster mantém os pés da longa sempre bem assentes no chão e dá-lhe toda uma magia ingénua que funciona na perfeição.

Não é uma obra complexa, é uma obra que deixa um sorriso na cara porque é precisamente para isso que é feita.


Pedro Horta
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