Christopher Nolan, agarrou neste tema dos sonhos e criou uma das melhores obras da sua carreira.

Christopher Nolan, agarrou neste tema dos sonhos e criou uma das melhores obras da sua carreira.

2010
Ação, Aventura, Sci-Fi | 2h28min
de Christopher Nolan, com Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy, Cillian Watanabe, Ken Watanabe e Michael Caine


Sonhos… Por norma, associados – quando falados na 7ª arte – a escapatórias fáceis nos argumentos, a soluções caídas do céu quando o argumento se enterra sozinho e não há maneira de dar a volta. Mas nada disso pode ser dito neste caso.

Christopher Nolan, um dos melhores realizadores e argumentistas deste século, agarrou neste tema dos sonhos e criou uma das melhores obras da sua carreira e de todos os tempos.

Inception não foi escrito do dia para a noite. Aliás, um filme desta complexidade jamais o poderia ter sido. Começou a ser escrito em 2001 – 9 anos antes da sua estreia – e foi posto de parte por Christopher Nolan. Mas porquê? Porque Nolan tem os pés bem assentes na Terra e sabia que, por essa altura, ainda não tinha a experiência e a bagagem necessária para produzir um projeto deste calibre. O argumento só foi entregue à Warner Bros. em fevereiro de 2009.

Inception fala-nos de um ladrão que aprendeu a entrar nos sonhos de pessoas e roubar ideias, sobretudo corporativas. É-lhe dada, a certa altura, a oportunidade de implementar uma ideia na mente de uma pessoa para alterar a decisão dessa mesma pessoa em relação à possibilidade de desfazer a sua empresa. Daí o nome Inception que, em português, significa Origem – nome da tradução do nome para a nossa língua.

Confusos? É possível. Aliás, distraiam-se por breves momentos do filme – ainda que tal seja criminoso – e darão por vós perdidos em camadas e camadas de enredos. Inception não tem um enredo apenas, tem vários. Desenvolve-se em motivações, preocupações, vontades e ideologias diferentes. Tem um universo tão complexo e tão bem explicado. E Nolan é perito nisto: criar mundos complexos mas garantir que a audiência não precise de um doutoramento para os perceber.

Não vos vou falar muito do plot do filme porque sinto que qualquer coisa que vos diga poderá estragar a surpresa. Porque Inception tem muitas surpresas. Apenas vos digo que o argumento é soberbo e que nos faz, realmente, ter outra ideia sobre usar a técnica dos sonhos em cinema.

Depois, Inception tem um casting fenomenal. Alguma vez seria possível imaginarmos nomes como Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy, Cillian Murphy e Michael Caine todos num só filme? Pois bem, Christopher Nolan não só os junta como os faz brilhar individual e coletivamente. É surreal a qualidade deste elenco que ainda vê nomes como Ken Watanabe (de The Last Samurai(2003)) e Dileep Rao (de Avatar (2009)).

Melhor que isto, Christopher Nolan junta um argumento e um casting de qualidade infindável e coloca-lhes a cereja em cima do bolo: Hans Zimmer na banda sonora. É preciso dizer mais sobre este senhor? O autor das bandas sonoras de filmes como Dunkirk (2017), Hidden Figures (2016), Batman v Superman (2016), Interstellar (2014), 12 Years A Slave (2013) e tantos, tantos outros…

 

A real pergunta é: Quando irá Nolan ganhar um Óscar? Não sei, mas já fez uma carreira com obras com que poderia, facilmente, ter ganho. Inception, por sua vez, foi o único da filmografia de Nolan a ser indicado ao Óscar de Melhor Filme, ainda que tenha perdido para The King’s Speech (2010). Esteve também nomeado, nesse ano, ao Óscar de Melhor Argumento Original e perdeu-o, novamente, para The King’s Speech (2010).

Inception, à semelhança de quase toda a obra de Christopher Nolan, é um filme complexo mas fantástico que lhe dará novas e novas visões sobre si cada vez que o vir. É uma obra de arte, mais uma deste senhor.


por Pedro Horta