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Ford v Ferrari(2019)

Há 22 dias | Ação, Biografia, Drama, | 2h32min

de James Mangold, com Matt Damon, Christian Bale, Jon Bernthal, Caitriona Balfe e Noah Jupe


Se me fizerem perguntas sobre cinema, poderei saber responder, idem sobre futebol, ou sobre pintura. Mas se há uma área em que sou um verdadeiro labrego é o mundo dos carros, das corridas e do automobilismo. Não só, não pesco nada disto, como nunca estive interessado pela coisa. Só houve um filme que me fez vibrar neste estilo: o excelente Rush (2013) de Ron Howard. Não esperava nada de Ford v Ferrari, no entanto, a curiosidade estava lá graças à dupla Christian Bale e Matt Damon e pela realização de James Mangold, cineasta de obras como Cop Land (1997), Walk the Line (2005), ou ainda do recente Logan (2017).

O que nos conta o filme?

Nos anos 60, a Ford Motor Company enfrenta graves problemas financeiros. Henry Ford II faz pressão nos seus funcionários para encontrarem soluções. Lee Lacocca (Jon Bernthal) sugere relançar a marca através do mundo do automobilismo. Tudo está a favor da Ford comprar a Ferrari. Infelizmente, a reunião com Enzo Ferrari torna-se num fiasco. Após serem ofendidos pela Ferrari, Henry Ford decide convocar Carroll Shelby (Matt Damon), único vencedor americano das 24h Le Mans (em 1959). Shelby tem o cargo responsável de construir um carro capaz de fracassar a supremacia da Ferrari nessa tal corrida das 24h Le Mans. Shelby percebe rapidamente que a única solução poderá estar nas mãos do brilhante Ken Miles (Christian Bale), um piloto com uma personalidade extravagante e nada apreciado pelos membros da Ford.

A principal força deste filme é o quão nos consegue integrar dentro do seu universo. Tive a plena sensação de estar nos anos 60 e de ver um filme old school de ação americano proveniente dos anos 70/80. A verdade é que amo este tipo de cinema e que tinha saudades de vibrar assim num blockbuster patriota assumido.

James Mangold é um excelente realizador. Sabe filmar e surpreender o espetador em todos os momentos necessários. O filme tem 2h30 e em nada sentimos essa duração. O ritmo é tão bem controlado, através dos seus planos e das suas sequências. Somos premiados com vários testes noturnos do carro (onde o piloto anda a uma grande velocidade), várias corridas – a da 24h Le Mans sendo uma grande aventura emocional e de todo o mundo extra carros: a papelada, os negócios, as advocacias e os momentos íntimos dos protagonistas. A montagem possui um corte dinâmico e forte. Quando o Christian Bale está a conduzir, a câmara foca-se nas suas reações lunáticas perante o extremo perigo que corre.

Aproveito para falar do elenco. E claro, destacar o Bale. É daqueles atores que consegue calçar qualquer personagem que nem uma luva. Tenho a sensação de nunca vê-lo a repetir o mesmo acting. Aqui não é exceção à regra. É um novo Bale nunca visto antes. Amo este homem. Matt Damon perde a vedeta em comparação ao seu partner de tela, mas tem aquele carisma ideal para contracenar. É aquele amigo simpático em que queremos ser amigos. A química dos dois é uma delícia.

Ford v Ferrari destaca-se na sua engenhosidade em não cair no cliché de simples corridas. É um filme compatriota americano – se bem que faz críticas ao seu próprio país. Os italianos são os maus, os americanos os bons, contudo, com algumas nuances.

Cativante e emocionante, transmite a paixão do automobilismo com grande realismo, assim como os seus maiores mistérios. Repito novamente, somos projetados para os típicos filmes de ação dos anos 70/80 e amo isto. É das maiores surpresas do ano.


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Rafael Félix:   7
 Pedro Horta:   8
 Bernardo Freire:   8