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Boy Erased(2018)

Há 6 meses | Biografia, Drama | 1h54min

de Joel Edgerton, com Lucas Hedges, Nicole Kidman, Russell Crowe, Joel Edgerton, Victor McCay e David Joseph Craig


Enquanto ator, Joel Edgerton é sempre uma presença agradável no ecrã. Mesmo em filmes menores como Bright (2017), a sua intensidade serena é notável. Qualidades que posso espelhar na sua estreia enquanto realizador, The Gift (2015), um thriller memorável que merece mais atenção mediática. Provavelmente terá o devido reconhecimento com o seu novo projeto, Boy Erased, uma biografia com um elenco de luxo que renova o seu talento por trás das câmaras.

A história, também ela adaptada por Edgerton, tem como matéria-prima o livro de memórias de Garrard Conley, o protagonista das vivências expostas no ecrã. Os temas em causa são bastante atuais: Estamos a viver uma espécie de 2º revolução sexual. A comunidade LGBT tem cada vez mais uma voz ampla e um espaço livre de preconceito na sociedade. No entanto, ainda há muitas mentalidades e perspetivas que têm de ser modificadas.

Tendo isto em conta, o filme narra as experiências de Jared Eamons (Lucas Hedges), um jovem universitário que está, naturalmente, a formar a sua identidade. É uma questão de tempo até ser confrontado com o "demónio" da homossexualidade, algo que é respondido com um programa terapêutico, regido por gente do Senhor, que tem como fim expurgar o pecado do pobre rapaz.

Boy Erased é tanto uma denuncia do que se passa dentro destes programas fundamentalistas, como um apelo à resiliência de quem todos os dias tem de conviver com o facto de ser diferente da maioria. Apesar de retratar temas diferentes, fez-me lembrar um pouco Beautiful Boy (2018), essencialmente pelo ritmo e dinâmicas familiares, mas também pelo facto dos filmes contarem com dois protagonistas que vão liderar uma nova geração de atores de alto calibre: Lucas Hedges e Timothée Chalamet.

Hedges reflete a ansiedade e desgosto de alguém que é submetido a lavagens cerebrais diárias mas que em última instância não se deixa conformar. Russel Crowe e Joel Edgerton, como pai de Jared e diretor do programa, respetivamente, representam com brio as figuras conservadoras que conseguem enfurecer qualquer um com as suas atitudes. Por último, e não menos importante, está Nicole Kidman, que no papel de mãe de Jared rouba todas as cenas que protagoniza, especialmente uma perto do fim.

É uma sucessão de tremendas interpretações que testemunham o poder de realização de Edgerton. O filme pode até ser previsível e algumas escolhas na montagem fazem com que a narrativa seja ainda mais rotineira do que poderia ter sido. Mas as personagens são tridimensionais e o impacto emocional está induzido de uma forma admiravelmente subtil.

Um programa de reorientação sexual para curar as pessoas da homossexualidade é uma daquelas tolices que devem ser proibidas por lei. Alguns países já tomaram essa iniciativa e acredito que mais seguirão o exemplo. Boy Erased é um drama familiar que expõe o lado mais podre de um país que diz-se ser tão evoluído. Uma chamada de atenção tão nacional como global.


Bernardo Freire
Outros críticos:
 Rafael Félix:   4
 Sara Ló:   7
 Alexandre Costa:   6