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Terminator: Dark Fate(2019)

Há 13 dias | Ação, Aventura, Sci-Fi, | 2h8min

de Tim Miller, com Linda Hamilton, Arnold Schwarzenegger, Mackenzie Davis, Diego Luna


Sinto o dever de iniciar esta crítica confessando que sou um grande fã deste franchise iniciado por James Cameron, até mesmo das sequelas consideradas menos boas. Sim, apesar de estar bastante longe de se consagrar como um bom filme, gostei de Genisys (2015), que dentro da mescla de padrões ultra-comerciais, possuía o atrevimento de tentar trazer ideias diferentes enquanto alimentava o espírito dos mais saudosistas. Então, não é novidade que me sentia ansioso por Dark Fate, o novo capítulo que ignora os acontecimentos vistos a partir de Rise of the Machines (2003) e se estabelece como a derradeira sequela de Judgment Day (1991), o meu segundo filme de ação preferido de sempre (perde para Mad Max: Fury Road - 2015).

 

Dark Fate continua a história apresentada no segundo filme da saga Terminator, apresentando Dani (Natalia Reyes), uma jovem mexicana, que observa a sua vida a mudar quando começa a ser perseguida por uma terrível máquina vinda de um futuro pós-apocalíptico. Contudo, Dani é protegida por Grace (Mackenzie Davis), uma híbrida de humana e máquina e pela lendária Sarah Connor (Linda Hamilton), que tem dedicado a sua vida a caçar Terminators. Juntas, as três mulheres vão tentar salvar a humanidade de um futuro demasiado negro.

 

A nova produção possui um argumento que se preza por trazer de volta os maiores ícones da saga, refiro-me obviamente a Linda Hamilton e a Arnold Schwarzenegger (Predator – 1987), que apesar de possuírem uma idade já avançada, mostram-se totalmente em forma e sobretudo competentes para este filme. Porém, por mais que desejasse gostar de Dark Fate, devo admitir que tudo não passa de uma reciclagem dos filmes anteriores, que melhora alguns aspetos, piora imenso noutros e abre espaço para uma série de plot holes que enquanto fã fiz um esforço para ignorar.

 

A sua narrativa não nos entrega nada de novo, a sua essência continua a ser uma história sobre uma máquina a perseguir humanos, no entanto, tenta fornecer diversas camadas que nem sempre funcionam. Começo pelo acontecimento da cena de abertura que me revoltou um pouco, mas o pior caso é o da personagem de Mackenzie Davis (Black Mirror – 2011-), que apesar da atriz se mostrar competente, o desenvolvimento da sua personagem como mulher híbrida entre máquina e humana é bastante desinteressante e possui de uma vulnerabilidade que aborrece os espetadores. Num ponto de vista positivo, esta produção tenta induzir-nos num processo reflexivo ao fornecer-nos uma visão sobre problemáticas como a migração nos EUA ou a substituição dos homens pelas máquinas no contexto de trabalho. Poderá não ser um atributo interessante para muitos, no entanto, essa decisão faz com que tente ser ligeiramente diferente de outras obras de ação.

 

A nova protagonista afirmou-se num erro total, mesmo Natalia Reyes se demonstrando minimamente competente, a sua personagem possui um desenvolvimento demasiado forçado e mecanizado. Contudo, foi bom rever Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger, mesmo que as capacidades interpretativas da atriz sejam bastante duvidosas (a cena em que esta reencontra o T-800 deveria ser dramática e acaba por ser aberrante devido às limitações de Linda), ela é a Sarah Connor, uma das personagens mais importantes da saga e mesmo não sendo uma boa atriz, é insubstituível. A prova disso foi a péssima receção à mesma personagem interpretada pela Emilia Clarke (Game of Thrones – 2011-2019) em Genisys.

 

Num ponto mais técnico, os efeitos visuais assumem-se excelentes, mas o mesmo não posso dizer das cenas de ação. Estas apesar de serem bem idealizadas, nutrem uma das piores montagens que assisti em toda a minha vida. Todas as sequências de confrontos e de perseguições sofrem de cortes mal empregues e planos terríveis, ao ponto de causarem incómodo e de nos deixarem confusos sobre aquilo que estamos a observar (e acreditem, eu raramente me queixo deste aspeto).


Dark Fate é bom porque nos dá a possibilidade de rever os dois dos maiores ícones do franchise, mas não é a sequela que eu sempre desejei. Não esperem uma produção arrojada e violenta, no fundo, não passa de um filme agradável, com pouco sangue, que se limita a ser uma ligeira cópia de todos os elementos que já conhecemos. Possui alguns elementos que funcionam e outros que nem por isso, mesmo assim aconselho-os a todos os fãs da saga.


Pedro Quintão
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