As cenas são poucas mas estendem-se desnecessariamente para conseguir completar uma obra de quase hora e meia

As cenas são poucas mas estendem-se desnecessariamente para conseguir completar uma obra de quase hora e meia

2018
Comédia, Romance, Drama
De Victor Levin, com Keanu Reeves e Winona Ryder


Victor Levin é um argumentista de comédias românticas tais como Then She Found Me (2007) ou My Sassy Girl (2008), por exemplo, que se estreou como realizador com 5 to 7 (2014), com uma história também por si escrita. Desta vez, Levin apresenta-se ao leme da narrativa e do projeto em si.

Destination Wedding aborda a história de Frank (Keany Reeves) e Lindsay (Winona Ryder), dois miseráveis e com más experiências pela vida que foram convidados para um casamento que decorrerá durante o fim-de-semana e que, mesmo evitando, acabam por se afecionar um pelo outro.

Tenho de começar por dizer que Destination Wedding tem vários problemas. Para já, a apresentação que tem das personagens é dada de uma maneira tão superficial que a experiência que temos ao longo do filme tanto com Frank como com Lindsay é simplesmente de ‘ok, fixe’. Se nós mal conhecemos uma personagem ao longo de um filme ou, pior, se as suas experiências e vivências não nos são minimamente bem explicadas, é impensável relacionarmo-nos com elas e, consequentemente, desfrutarmos da obra.

Depois há que salientar a preguiça da escrita de Levin que, apesar de ter uma ou outra linha de diálogo a roçar o interessante, tudo o restante podia nem estar presente que a diferença seria nula.

Nós, enquanto audiência, estamos sempre colados a Frank e Lindsay sem nunca nos ser dada uma linha de diálogo que não venha da boca de um deles. Todos os outros restantes intervenientes são apenas bonecos de porcelana que fingem conviver até que a cena acabe. E isto incomodou-me tremendamente. Desde os ‘noivos’ aos meros figurantes de rua, o acting é ridículo. Eu juro que apostava que o casting para figuração tinha tido o objetivo de juntar os figurantes mais robóticos disponíveis. Isso e a quantidade de figuração que temos no filme. Frank e Lindsay parecem estar sempre sozinhos. Nunca há ninguém. Chega uma carrinha de 9 lugares a um lugar onde decorrerão atividades e de lá de dentro saem apenas os dois. E o resto da malta? Ficou no hotel? Enfim.

O acting de Reeves incomodou-me muito também. A diferença de Reeves para os figurantes é que tem falas, porque tudo o resto é igual. Sem expressões, sem mudanças de tom, sem empatia, sem nada. Haverá provavelmente alguma carica com mais carisma que Reeves. O que é total oposto de Ryder. Winona, embora algo aquém do que se podia esperar, passa por milhares de expressões, tons e atitudes. É um contraste tão grande e tão indesejado que as cenas tornam-se, maioritariamente cringe de se ver.

Outro problema do filme é o seu ritmo. As cenas são poucas mas estendem-se desnecessariamente para conseguir completar uma obra de quase hora e meia. A informação que se tenta passar em cada cena poderia ter sido passada em trinta segundos, mas em vez disso somos bombardeados com cenas de oito e nove minutos.

Não acho que se justifique dar uma oportunidade ao filme. O correto nome para o filme seria: Destination: End (please!).


por Pedro Horta